Brasil | Entrevista

Novo presidente da Câmara Portuguesa de Minas Gerais tem raízes em Angola

A Câmara Portuguesa de Minas Gerais, com sede na cidade brasileira de Belo Horizonte, conta com um novo presidente. Carlos Alberto Lopes tomou posse no início de maio e disse estar empenhado em tornar os laços entre Portugal e Brasil “mais efetivos”.

Natural de Angola, o novo presidente, que foi criado em Portugal, garantiu que vai apostar numa comunicação “mais efetiva e sustentável entre as pessoas, as empresas e as entidades de Minas Gerais, Portugal e os países de expressão portuguesa”. Este responsável realçou também que os problemas que enfrentamos atualmente, em termos de limitação no contato com o público, devem ser vistos como “uma oportunidade para nos adaptarmos às redes digitais”.

Em entrevista à e-Global, Carlos Lopes falou sobre os seus projetos à frente da presidência da entidade, avaliou as ações da Câmara no âmbito do combate à Covid-19, abordou a crise causada pelo novo coronavírus, citou os eventos cancelados e destacou o que considera serem boas oportunidades de negócio neste momento.

 

Quais são as suas expectativas em relação ao cargo?

Dando continuidade a um ideal que nasceu há mais de 20 anos e que celebra a amizade entre Portugal e Minas Gerais, trago a expressão de Angola, onde nasci, de Portugal, onde cresci, e do Brasil imenso que me acolheu jovem e onde me realizei enquanto pessoa. Vejo-me contribuindo para tornar esses laços mais efetivos.

Como avalia a sua eleição e o que pretende durante o mandato?

A eleição resultou de uma discussão interna que ensejava uma transição tranquila e sem sobressaltos e reuniu o apoio do então presidente Fernando Meira Dias e do presidente do Conselho, Raul Pena. Os votos colhidos pela proposta de diretoria no processo eleitoral evidenciaram um número expressivo que se uniu para manifestar confiança à proposta apresentada. Pretendemos dar expressão à afetividade que une Minas Gerais e o Brasil a Portugal, ajudando a desenvolver canais e formas de comunicação mais efetivas e sustentáveis entre pessoas, empresas e entidades de Minas Gerais, Portugal e os países de expressão portuguesa.

Qual era a sua ligação à Câmara Portuguesa?

Estou na diretoria desde 2014 com a responsabilidade do Comité de Eventos e Associados e, no último mandato, acumulei a função de vice-presidente.

Quais são as atividades da Câmara hoje em dia? Quantas empresas associadas existem?

Atualmente, temos 72 associados e a nossa atividade é predominantemente voltada para eventos, atualmente apenas on-line. Damos como exemplo a posse que ocorreu no dia 01 de maio numa plataforma digital.

Qual é o objetivo da Câmara no seio da comunidade mineira e lusodescendente?

Pretendemos ser reconhecidos como interlocutores de referência entre pessoas, empresas e entidades entre Portugal e Minas Gerais, no Brasil.

Como vê o trabalho da Câmara neste momento de pandemia?

Uma oportunidade para nos adaptarmos ao “admirável mundo novo” das redes digitais que já havia se apresentado às pessoas, empresas e entidades, mas poucas se anteciparam em utilizá-las adequadamente.

Como é possível fazer a gestão de uma instituição como a Câmara Portuguesa em tempos de crise?

Precisamos nos adaptar em primeiro lugar ao processo de desmaterialização e digitalização da gestão administrativa, sem perder de vista a situação dos nossos associados e as suas necessidades.

Como a pandemia afetou as atividades da Câmara?

A Festa Portuguesa, nosso principal evento anual, que aconteceria em 06 de junho e que reúne em média 25 mil pessoas todos os anos, foi cancelada e adiada para 2021. Todos os eventos de natureza presencial, que representam 95% dos eventos organizados, estão suspensos até que a pandemia seja controlada, em virtude da determinação de 28 de abril do Governo de Minas Gerais.

Tem já ideia de ações que poderão ser propostas para que o impacto da pandemia, no cenário económico, não seja “irreversível” perante os seus associados?

Não temos uma “radiografia” de todas as atividades e, como se sabe, alguns setores foram mais severamente afetados do que outros. Não conhecemos situações de “irreversibilidade”. Pessoalmente, estou convencido de que serão a velocidade e a qualidade de implementação das ações dos decisores políticos que permitirão às pessoas e empresas terem uma chance efetiva de se recuperarem, o que, acredito, demorará de 12 a 24 meses em média.

Na sua opinião, como as empresas devem atuar neste momento?

Devemos, pessoas e empresas, olhá-lo como um desafio, uma oportunidade de “desinstalar” programações antigas e instalar novos apps, competências e valores.

Como vê as ações de combate ao Covid-19 por parte das autoridades em Minas Gerais?

Como em todas as situações em que é exigido aos decisores tomarem medidas drásticas e difíceis, vi acertos e desacertos. O mais importante é a forma e a velocidade em corrigir os desacertos e acelerar as medidas que deram certo. De um modo geral, as ações produziram resultados satisfatórios sob a perspectiva da Saúde Pública.

Que oportunidades de negócio vê surgirem neste momento?

Aprendizado, disrupção e novas abordagens. Estamos na curva de aprendizado para “monetizar” de forma consistente e duradoura neste novo cenário.

Por fim, que mensagem deixa para o empresariado ligado à Câmara neste momento?

Que podem contar com a total abertura da diretoria para encontrarmos mais efetividade e assertividade nas ações. Vamos manter o contato entre as pessoas, empresas e entidades públicas e privadas usando as plataformas digitais.

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1 Comentário

1 Comentário

  1. Claudio Luciano Valença Motta

    14/06/2020 at 14:18

    Meus parabéns a Carlos Lopes e a toda Diretoria da Câmara Portuguesa de Minas Gerais, da qual faço parte com muita honra. Novos tempos estão chegando para criarmos novas rotas e fazermos das tradições de Brasil e Portugal uma verdadeira relação de descobertas ainda maiores!

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