ONU: Bolsonaro insiste em tratamento precoce para controlar a covid e isola-se cada vez mais

No discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), na abertura da 76a. Assembleia Geral da entidade, em Nova York, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro voltou a insistir na defesa dos seus posicionamentos, que diferem da maioria do planeta, sobre a pandemia da covid-19.

Bolsonaro defendeu o tratamento precoce da covid com medicamentos que não têm eficácia comprovada. Disse que ele mesmo – que não tomou vacina – fez uso de tais medicamentos. E criticou os países e a media que pregam contra tal tratamento precoce. Criticou ainda as medidas de isolamento social, às quais atribuiu o crescimento da inflação em todo o mundo.

Na verdade, como mostra estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é o que terá a terceira maior inflação em 2021. Países que fizeram isolamento social mais rigoroso e já vacinaram a maior parte da sua população, como Portugal, hoje já vivem vidas muito próximas da normalidade.

A despeito de tudo isso, Bolsonaro disse no início do seu discurso que mostraria ali um “Brasil diferente daquilo que é publicado nos jornais e TVs”. Discorreu que há dois anos e dois meses não há um caso concreto de corrupção anotado. Disse que quando assumiu, o país estava “à beira do socialismo”, que as em empresas estatais davam prejuízo e que os bancos de desenvolvimento emprestavam dinheiro a “países comunistas”.

Falou também dos programas de parceria com a iniciativa privada que estão a ser desenvolvidos, nomeadamente, mencionou as parcerias em ferrovias, que estão a provocar o “ressurgimento do modal ferroviário”. Mencionou o maior leilão da história na área de saneamento básico no Rio de Janeiro, “temos tudo o que o investidor estrangeiro necessita”, assegurou.

O presidente falou ainda da agricultura e do meio ambiente. Disse que o Brasil tem uma “agricultura moderna e de baixo carbono”. Mencionou a legislação ambiental e que as populações indígenas ocupam uma área equivalente ao território da Alemanha e França juntos, referindo que tais populações, no seu entendimento, querem produzir com investimentos em agricultura.

Carlos Vasconcelos- Correspondente

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