Brasil

Parceria entre Brasil e Portugal na área da defesa possibilitou escolha portuguesa pela compra de aviões da Embraer

No início de julho, o governo português anunciou um pedido firme para cinco aviões de transporte aéreo multimissão, modelo KC-390, da brasileira Embraer como parte do processo de modernização das capacidades da Força Aérea Portuguesa. As aeronaves serão utilizadas como apoio às operações das Forças Armadas de Portugal e servirão também para aumentar a prontidão em missões de interesse público. As entregas estão programadas para começar em 2023.

De acordo com fonte do governo brasileiro, a opção de Portugal pelas aeronaves brasileiras acontece num momento importante em que o país europeu procura modernizar a sua capacidade de operação.

“Portugal está a estudar aumentar a sua frota de defesa há algum tempo. As conversações com a Embraer avançaram durante o governo Bolsonaro e foi possível fechar um acordo importante para ambos os países. A aeronave da Embraer apresenta capacidades técnicas únicas no mercado atual e, após parceria entre Brasil e Portugal, a escolha por essas aeronaves foi um caminho natural. A Força Aérea Portuguesa revelou ter grandes expectativas em relação ao aparelho”, comentou essa mesma fonte, que afirmou que a iniciativa lusitana tem também um viés estratégico.

“A Embraer mantém instalações em Portugal e isso ajudou e muito na tomada de decisão por parte dos portugueses”, finalizou essa fonte que preferiu não se identificar.

Para a Embraer, a venda dessas aeronaves para Portugal fortalece o comércio entre os dois países.

“A parceria industrial entre Portugal e a Embraer contribui para o desenvolvimento da engenharia e da indústria aeronáutica portuguesas, representando mais de 300 milhões de euros em exportações por ano e milhares de empregos altamente qualificado”, defendeu Jackson Schneider, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, que sublinhou ainda que “Portugal é o maior parceiro internacional do Programa KC-390 e a sua participação no desenvolvimento e na produção da aeronave é reconhecida como tendo tido um impacto económico positivo na geração de empregos, novos investimentos, aumento de exportações e avanços tecnológicos”.

Recentemente, o governo português garantiu que a aeronave “cumpre os requisitos da Força Aérea Portuguesa”.

 

Investimento

Informações do governo de Portugal dão conta de que a compra dos aviões da Embraer acontece como forma de “substituir os Hércules C-130”, num investimento na ordem dos 827 milhões de euros, já previstos na Lei de Programação Militar (LPM) aprovada há algumas semanas.

Conforme apurámos, o “contrato inclui a aquisição de um simulador de voo e a manutenção das aeronaves com motores a jato – que vão operar a partir da base aérea do Montijo – nos primeiros 12 anos de vida”.

 

Modernidade e agilidade

De acordo com especialistas da área de defesa no Brasil, o KC-390 estabelece “novos padrões de eficiência e produtividade na sua categoria, apresentando ao mesmo tempo o menor custo do ciclo de vida do mercado”. Além disso, completam os especialistas, esse modelo está formatado para realizar “diversas missões militares e civis, incluindo apoio humanitário, evacuação médica, busca e salvamento e combate a incêndios florestais”, bem como apresenta “capacidades superiores de transporte e lançamento de carga e tropas, e reabastecimento em voo”.

Na opinião de Schneider, a compra dessas aeronaves por parte do governo de Portugal “é um passo muito relevante para consolidar a aeronave no mercado”.

“O KC-390 de Portugal atenderá a novos requisitos de interoperabilidade nas áreas de navegação segura, transmissão de dados e voz que permitirão ao KC-390 integrar operações conjuntas em alianças multinacionais nas quais Portugal está integrado. Estes requisitos, desenvolvidos em parceria com a Força Aérea Portuguesa, permitirão ao KC-390 atender às necessidades de muitas outras nações em todo o mundo”, completou Schneider.

 

Certificação

O KC-390 recebeu o Certificado de Tipo da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) do Brasil em 2018 e está já em plena produção em série. A entrada em serviço da aeronave está prevista para o terceiro trimestre de 2019 com a Força Aérea Brasileira (FAB), com mais entregas esperadas no decorrer do ano.

A Embraer é líder na fabricação de jatos comerciais de até 150 assentos e é a principal exportadora de bens de alto valor agregado do Brasil. A empresa mantém unidades industriais, escritórios, centros de serviço e de distribuição de peças, entre outras atividades, nas Américas, África, Ásia e Europa, incluindo uma unidade em Évora.

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