Publicitário que fez a campanha do MPLA está em prisão preventiva

O juiz federal brasileiro Sérgio Moro decretou ontem a prisão preventiva do publicitário João Santana e da mulher Mônica Santana. O casal já cumpria prisão temporária nos calabouços da Polícia Federal em Curitiba, desde a semana passada, quando foram presos na Operação Acarajé, da Polícia Federal (PF) do Brasil.

Os dois confessaram à polícia terem recebido, ilegalmente, milhões de dólares do MPLA para pagar a campanha de 2012. Além dos 18 milhões de euros das contas oficiais, a Pólis, empresa que pertencia ao casal, terá recebido pelo menos mais 18 milhões de euros não inscritos nas contas, ou mais, tendo em conta que João Santana referiu à polícia que, da campanha em Angola, a sua empresa recebeu 50 milhões de euros.

Para decretar a prisão preventiva, o juiz Sérgio Moro disse que a prisão de Santana é necessária para preservar as investigações, pois tentou destruir arquivos eletrónicos. “A conduta tomada por João Santana, de promover a eliminação de arquivos eletrónicos, ou seja, destruir provas, indica risco à investigação ou à instrução, caso seja colocado em liberdade”, decidiu Moro.

Segundo a PF, há indícios, de que o publicitário João Santana recebeu quase um milhão de euros da empreiteira brasileira Odebrecht, e que os documentos apreendidos divergem da versão apresentada pelo casal nos depoimentos prestados na semana passada. A suspeita é que o dinheiro teve origem no esquema de desvios na Petrobras, a empresa petrolífera estatal brasileira.

De acordo com a PF, no dia em que operação foi iniciada, João Santana apagou a sua conta no sistema de armazenamento em nuvem,Dropbox. Santana e a mulher entregaram-se às autoridades no dia seguinte à operação, na terça-feira, 23, porque estavam na República Dominicana, onde participavam na campanha presidencial.

“Considerando a data da providência, a medida tinha a finalidade provável de impedir o acesso das autoridades policiais ao conteúdo armazenado em nuvem junto àquele endereço eletrónico, já que a intercetação ou quebra de sigilo digital é um recurso usualmente utilizado nas investigações policiais modernas. Em termos atuais, apagar os arquivos em nuvem equivale a destruir documentos que podem interessar à investigação”, argumentou Moro.

De acordo com a defesa do publicitário enviada ao juiz Sérgio Moro, as suspeitas da PF sobre suposta destruição de provas são insinuações.

 

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