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“Quando as negociações entre Mercosul e UE entrarem em vigor, produtos agrícolas brasileiros terão as suas tarifas zeradas”, comemora Federação em São Paulo

A assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia irá proporcionar, segundo especialistas e órgãos brasileiros, grandes possiblidades comerciais entre os dois blocos. Setores como a agricultura, têxtil e confecção, indústria, serviços e bens de consumo serão os mais atingidos positivamente.

Para Rubens Barbosa, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias do Trigo (Abitrigo) do Brasil, o acordo entre os dois blocos permitirá avançar em termos de livre comercio.

“O maior benefício para o Brasil e para o Mercosul é terminar o isolamento das negociações comerciais dos últimos 20. Nesse período, o Mercosul assinou apenas três acordos (Egito, Israel e Autoridade Palestina) quando o mundo negociou mais de 250 acordos de livre comércio. O Brasil terá acesso preferencial para produtos agrícolas, industriais e serviços”, comentou Barbosa, que condenou as tendências protecionistas.

“A assinatura desse acordo é um marco histórico para o Mercosul, o mais importante assinado até agora. O acordo vai na contramão da tendência protecionista e de conflito comercial entre os EUA e a China. A medida ajuda também a acelerar as negociações em curso, como as com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), Coreia, Singapura e o Canadá”, disse o responsável pela Abitrigo, que aproveitou a oportunidade para defender que “para que o acordo tenha, de facto, efeitos evidentes na economia brasileira é necessário eliminar as ineficiências, desburocratizar diversos processos e aumentar a competitividade da nossa indústria diante dos países da União Europeia”, atestou Barbosa.

Por seu turno, Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), esse foi um “grande acordo”.

“A indústria têxtil participa nas negociações entre Mercosul e UE desde o seu início. Este importante acordo movimenta uma população de mais de 700 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) de 19,8 trilhões de dólares. É um grande acordo e nós entendemos que ele tem uma sinergia e importância para o setor têxtil e de confecção para ambos os blocos”, considerou Pimentel, que avaliou que ainda é preciso ultrapassar o período burocrático do acordo.

“Existe hoje um fluxo comercial entre Brasil e Europa na ordem dos 500 milhões de dólares entre compras e vendas. As áreas de investimento, pesquisa e inovação e intercâmbio de pessoas serão beneficiadas. Esta é uma nova era. As empresas devem procurar novas oportunidades, novas parcerias. Teremos ainda dois anos para que toda a burocracia pós acordo possa ser superada. O acordo deverá estar em pleno lá pelos anos de 2030. Dá tempo para que as empresas possam se posicionar. No caso de Portugal, como temos ligações históricas, essas relações podem ocorrer de forma mais profunda”, finalizou Pimentel.

 

Acordo deve “alavancar” comércio de bens

Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o tratado entre os dois blocos garantirá ao Brasil acesso a produtos europeus com tecnologia de ponta a preços mais atrativos. Para a entidade, esse acordo comercial é um dos mais ambiciosos, com potencial para alavancar as vendas de produtos do agronegócio do Mercosul e de bens industrializados europeus.

“O acordo proporcionará mais competitividade para a economia brasileira ao garantir acesso a produtos e serviços da Europa com tecnologia de ponta a preços mais atrativos. Além disso, essa redução de barreiras vai facilitar a inserção do Brasil nas cadeias globais e, consequentemente, trazer mais investimento, emprego e renda para o País. Por fim, os consumidores também serão beneficiados ao ter acesso a maior diversidade de itens, com preços melhores. Os termos detalhados do acordo ainda não foram divulgados, contudo, já se sabe que apenas 24% das exportações brasileiras estavam livres de tributos na UE. Agora, praticamente 100% das exportações terão o benefício”, sublinhou a Federação.

“Quando as negociações entrarem em vigor, produtos agrícolas nacionais como sumo de laranja, frutas e café solúvel terão suas tarifas zeradas. Também deve haver uma cota para carnes, açúcar e etanol, entre outros. Além disso, as empresas brasileiras terão eliminação de tarifas na exportação de produtos industrializados e serão reconhecidos como produtos brasileiros diferenciados, cachaça, queijo, vinho e café, garantindo acesso efetivo em diversos segmentos de serviços, como comunicação, construção, distribuição, turismo, transportes e serviços profissionais e financeiros”, avançou a entidade, que recordou que “outro ponto importante é que empresas brasileiras também obterão acesso ao mercado de licitações da UE, estimado em US$ 1,6 trilhão, e, em contrapartida, as empresas europeias passarão efetivamente a participar das licitações brasileiras, o que deve reduzir os custos das obras no território nacional e proporcionar a  ampliação para a infraestrutura do turismo”.

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