Brasil

Santuário de Fátima no Rio de Janeiro faz adaptações na prática da religiosidade em tempos de pandemia

Os frequentadores da Capela das Aparições do Santuário Nossa Senhora de Fátima na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro contam com uma nova maneira para se confessarem. Em virtude da pandemia de covid-19 no Brasil, e por estarem proibidas aglomerações, os responsáveis pelo local estão a promover confissões em modo “Drive Thru”, longe dos confessionários, onde quem pretende se confessar ao padre terá de o fazer de dentro de um veículo.

“As confissões estão sendo feitas neste momento em regime “Drive Thru”, pois não é possível a confissão auricular, conforme a determinação da igreja. Criamos um percurso dentro do estacionamento do Santuário, que está devidamente sinalizado, no qual a pessoa entra de carro e sozinha, sem acompanhantes, e vai se confessar diretamente ao padre”, explicou Berthaldo Soares, responsável pela Associação Tarde com Maria, entidade gestora desse Santuário.

O método utilizado nessas confissões, que acontecem diariamente das 9h às 11h e das 14h às 18h, conta com regras específicas.

“Entre o fiel e o padre existe o banco do passageiro e mais um metro de distância entre o automóvel e o sacerdote. Fizemos um teste de áudio e é impressionante como a voz se projeta de dentro do veículo mesmo se a pessoa falar em tom muito baixo e a voz chega até a pessoa que está do lado de fora do carro”, comentou Berthaldo, que sublinhou que estão a ser atendidas, dessa forma, cerca de 70 pessoas por dia.

“O feedback dos fiéis é maravilhoso. As pessoas estão agradecendo muito a oportunidade de poderem se confessar. A reconciliação traz um grande alívio à alma. Tiramos de dentro de nós muitas dores e pesos”, reforçou este responsável.

 

Mudança de cenário

O espaço do Santuário, que conta com a única réplica autorizada no mundo da Capela das Aparições, costuma receber um grande público durante as celebrações religiosas. Mas, neste momento, todas as missas estão a ser transmitidas nas redes sociais da Associação. Antes da pandemia, as orações também chegavam aos fiéis pela Internet ou pele televisão. A pandemia fez com que o contato pessoal nessa Capela ficasse restrito ao ambiente virtual.

“As missas estão todas on-line, pois o Santuário está fechado por determinação do governo e da saúde pública. A arquidiocese do Rio de Janeiro, colaborando com o governo, determinou a transmissão das missas sem público. O que fizemos foi, com toda a nossa capacidade instalada, transmitir as missas oito vezes por dia na Internet e, com isso, levar um alento ao nosso povo e fazer a igreja chegar a todos os lares”, mencionou Berthaldo, que falou sobre a inevitável queda de receitas.

“Não temos tido colaboração em termos de doação. Não há ninguém no Santuário, não há loja funcionado, não há cantina, não há nenhuma receita. Graças a Deus, a Associação vem se estruturando há algum tempo para receber doações on-line. E essas doações, que representam 30 por cento do montante, têm conseguido ajudar nas contas que temos de pagar”, atestou Berthaldo, que continuou:

“O Santuário, seja em tempos de pandemia ou sem pandemia, tem como missão divulgar a palavra de Deus e acolher os fiéis da melhor forma possível. Acolher é evangelizar. Hoje, acolhemos os fiéis nas suas próprias casas a partir da Internet. Para ter uma ideia, tivemos, no último mês, dois milhões de minutos visualizados apenas num canal”.

 

Ação social

Apesar de passar por um momento crítico em termos de arrecadação, o Santuário, que em 2019 foi considerado de interesse religioso, turístico e cultural pelo município do Rio de Janeiro, segue “ajudando a que mais precisa”, através de ações de solidariedade.

“Neste momento de crise, nos surgiu uma grande obra de caridade que é a instalação de uma grande padaria dentro do Santuário. Neste momento, estamos fabricando seis mil pães por dia e demos início a reforma da cozinha e, no próximo dia 4 de maio, queremos inaugurá-la dentro de todas as especificações sanitárias das autoridades locais para que possamos oferecer também 500 refeições por dia. Doamos também cabazes para as famílias mais carenciadas. O coronavírus vai passar, mas a fome, não”, alegou Berthaldo, que sugeriu que todo este cenário está a motivar alterações na humanidade.

“A pandemia mudou a relação das pessoas, o entendimento da missão. O Santuário percebeu que precisamos ter também uma parte muito bem estruturada de obras sociais e de ajuda às pessoas carentes. Essas ajudas chegam a todos, independentemente da sua religião, cor ou orientação sexual. Temos fiéis que nos pedem ajuda porque perderam os seus empregos ou porque não têm o que comer. E ajudamos. Vamos aprofundar ainda mais essa ajuda, na medida do possível”, alertou este responsável, que garantiu que, para já, as contas desse local de orações estão “em dia”.

“O trabalho no Santuário não está ameaçado em termos financeiros. Estamos passando por dificuldades sim, mas estamos tocando a vida. Neste momento, alguns funcionários tiveram os contratos de trabalho suspensos”, contou Berthaldo, que deixou uma mensagem para brasileiros e portugueses.

“A mensagem que posso deixar é de esperança. Tudo isso vai passar. Que possamos sair mais fortalecidos disso, com maior sentido de caridade. Devemos rever muitas coisas nas nossas cidades e países em relação à distribuição de renda, habitação, saneamento, saúde e as nossas prioridades”, finalizou Berthaldo, que recordou que existe no sítio da Associação Tarde com Maria um link destinado às doações para o Santuário.

Ígor Lopes

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