Brasil

São Paulo mantém quarentena

O governo do Estado de São Paulo decidiu prorrogar a quarentena em todos os seus 645 municípios até dia 31 de maio com o intuito de “evitar a proliferação do novo coronavírus”. Diante desse cenário, as casas regionais portuguesas no Estado estimam grandes perdas económicas e culturais.

A medida, segundo o governo estadual de São Paulo, foi tomada em virtude do aumento em 159% do número de casos confirmados de covid-19 e em 193% do número de mortes por conta do coronavírus. Outro índice que está a ser acompanhado pelas autoridades é a taxa de adesão ao isolamento, que está próxima dos 48%.

“Como governador de São Paulo, gostaria de dar uma notícia diferente, mas o cenário é desolador. Teremos de prorrogar a quarentena até o dia 31 de maio. (…) Não descartamos nenhuma outra medida mais restritiva. Não estamos propondo lockdown, mas ele não está descartado. Esperamos que isso não tenha que ser praticado, mas isso vai depender muito de vocês (cidadãos)”, disse o governador do Estado de São Paulo, João Doria.

O Estado de São Paulo conta hoje com mais de 47 mil casos confirmados de infetados com Covid-19 e está próximo da marca de quatro mil óbitos. Somente na cidade de São Paulo, capital do Estado, o número de casos confirmados passa de 28 mil. Esse município já registou mais de 2.400 mortes. O primeiro caso de Covid-19 em São Paulo foi diagnosticado no dia 25 de fevereiro num paciente do Hospital Israelita Albert Einstein. Tratou-se de um homem que havia regressado da Itália e apresentou sintomas como tosse e febre. Ele se recuperou.

O prefeito da cidade de São Paulo, Bruno Covas, ressaltou que “espera que as taxas de isolamento vistas no início da pandemia (cerca de 59%) sejam retomadas, o que evitaria a necessidade de uma medida drástica”.

No Estado de São Paulo, o uso de máscaras de proteção faciais é obrigatório no transporte e em espaços públicos.

Economia com retomada incerta

Para minimizar os impactos na questão económica, o governo do Estado de São Paulo anunciou uma série de incentivos, como a liberação de R$ 650 milhões (cerca de 100 milhões de euros) de crédito subsidiado pela entidades Desenvolve SP, Banco do Povo e Sebrae destinados, principalmente, para micro e pequenas empresas com o intuito de “aquecer a economia do Estado durante o período de enfrentamento ao coronavírus”.

Foi anunciado também o Plano São Paulo de reabertura económica que prevê que, após o fim da quarentena, em 31 de maio, “haverá retomada gradual de comércio e serviços não essenciais para evitar que a reabertura desordenada provoque aumento do número de casos e de mortes em decorrência da COVID-19”.

De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), “a prorrogação da quarentena é necessária, mas governo de São Paulo precisa explicar as medidas para minimizar o impacto económico”. Dados avançados por este órgão indicam que “o varejo paulista deve sofrer perdas de, ao menos, R$ 44 mil milhões, considerando o período de isolamento”.

“Levando em consideração que as atividades retornem somente no dia 1º de junho, conforme anunciado pelo governador, os prejuízos alcançados nos meses de março, abril e maio devem atingir mais de R$ 44 mil milhões, com perda diária de R$ 659,7 milhões ao varejo paulista. Dessa forma, a liberação de R$ 650 milhões em crédito pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio do Banco do Povo e do Desenvolve SP, não cobre nem sequer uma média diária do prejuízo no facturamento do comércio”, contestou essa Federação.

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