Activistas de Cabinda em Luanda querem conhecer posição dos partidos políticos angolanos

O grupo dos activistas de Cabinda residentes em Luanda tem-se destacado por estar na origem de diversas iniciativas que têm como objectivo forçar as autoridades angolanas a agir, envolvendo a Comunidade Internacional, na resolução da “questão” de Cabinda, bem como impulsionar as dinâmicas que possam viabilizar a abertura de negociações para pôr fim ao conflito no território.

Constituído por elementos que já estão integrados em organizações nacionalistas cabindesas, mas também por activistas sem qualquer filiação, o grupo dos activistas de Cabinda residentes em Luanda vinca que cada membro do colectivo tem uma posição independente das organizações às quais possam eventualmente pertencer em Cabinda.

Sobre o posicionamento político do grupo dos activistas de Cabinda residentes em Luanda, Daniel Vingo, músico e activista, precisou que em Cabinda “existem correntes que defendem a autonomia e um estatuto especial, outros defendem a independência, nós, cabindas residentes em Luanda, defendemos a paz e diálogo”.

Liumbu Liambo, igualmente membro do grupo dos activistas de Cabinda residentes em Luanda, vincou que em Luanda nenhum elemento do colectivo representa a organização que pode pertencer ou não em Cabinda.

“Aceitamos todas as lutas dos cabindas”

“Aceitamos todas as lutas dos cabindas, independentemente das opiniões que cada um tem. Assim é legítimo que recuse votar nas eleições, como também é legítimo que um Cabinda queira votar nas eleições para derrotar o partido no poder. A luta da FLEC-FAC, que luta nas matas, também é uma luta legitima”, explicou Liumbu Liambo.

Ouvir todas as correntes partidárias angolanas e da sociedade civil, sobre as suas posições face à “questão” de Cabinda, é a actividade em curso do grupo dos activistas de Cabinda residentes em Luanda.

Daniel Vingo confirmou que grupo tem reunido com os principais líderes dos partidos políticos angolanos, excepto com o partido no poder MPLA, assim como alguns membros da sociedade civil. “Pretendemos promover um diálogo, visto que no próximo ano haverá eleições em Angola. Assim, queremos saber qual é a posição dos líderes dos partidos políticos que vão concorrer a estas eleições e, caso ganharem as eleições, o modelo que pretendem seguir para o problema de Cabinda”, disse Daniel Vingo.

“A prioridade é derrotar o partido no poder”

Nos primeiros contactos do grupo de activistas, nomeadamente com o Bloco Democrático e CASA-CE, os lideres políticos “reconhecem a luta em Cabinda, assim como a lástima que se vive em Cabinda, e nós destacamos também as constantes violações dos direitos humanos. Os líderes destes partidos afirmam que querem que tudo isto termine”, no entanto “sublinham que muitos dos problemas sociais vividos em Cabinda, são iguais a de outras províncias angolanas, daí a prioridade ser derrotar o partido no poder”.

“Nos primeiros contactos, em termos gerais, os líderes partidários recusam a possibilidade da Independência de Cabinda” estando apenas receptivos a conceder “mais autonomia”, disse Daniel Vingo.

Para Liumbu Liambu a abordagem dos activistas “com os partidos angolanos, é um meio de eles fazerem chegar às instâncias superiores o que de facto se passa em Cabinda”.

“O nosso objectivo é fazer pressão a Angola e sensibilizar todos, desde os partidos políticos da oposição, sociedade civil, a embaixadas para forçarem o governo angolano a mostrar disponibilidade para negociar com os cabindas”, explicou Liumbu Liambu.

Relativamente à participação dos eleitores de Cabinda nas próximas eleições, Daniel Vingo defendeu que o “debate da participação, ou não, dos cabindas nas eleições, é irrelevante” e acrescenta: “insistimos prioritariamente na necessidade de diálogo e paz. A título pessoal defendo que temos de votar para derrotar o partido no poder, mas também não sabemos o que fará um novo governo. Por esse motivo estamos a levar a cabo esta actividade”, disse.

Liumbu Liambu e Daniel Vingo adiantaram também que em todos os encontros é abordada a situação dos direitos humanos em Cabinda bem como da “detenção ilegal dos activistas António Tuma e Alexandre Dunge, presos em Cabinda há cerca de dois meses”. No final dos contactos, o grupo dos activistas de Cabinda residentes em Luanda vai elaborar um relatório em que expõe o balanço das audições, que prevê igualmente uma exposição sobre a situação dos direitos humanos em Cabinda.

2 Comments

  1. Johnys Luemba

    Viva filhos de Cabinda

  2. Bartolomeu Zau Tati

    Esoero interagir com todos manos de Cabinda. E que venho a see Bem Vindo aqui.

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