Alto Conselho de Cabinda quer Portugal a organizar e mediar as negociações com o Governo Angolano

Alegando “responsabilidades históricas”, o Alto Conselho de Cabinda (ACC), através de um documento intitulado “O Drama do Povo de Cabinda Maio 2020” solicitou ao Governo português para “organizar e mediar as negociações entre o Governo Angolano e o Povo de Cabinda, com a observação da ONU, UA, EU, OAD (Organização Africana de Desenvolvimento), a fim de se assegurar a credibilidade do processo e o respeito do acordo de paz que dela sair”.

No mesmo documento o ACC expõe um conjunto de actividades realizadas pela organização, tais como encontros com “partidos políticos angolanos, nomeadamente a UNITA, a FNLA, o PRS, a Casa-CE em Cabinda e Angola”, contactos com organizações da sociedade civil  e com responsáveis dos Centros de Refugiados na República Democrática do Congo e  República do Congo, e com os cabindeses espalhados na diáspora, lê-se no documento.

Segundo o ACC durante os encontros “todos defendem por unanimidade a resolução do conflito por vias pacíficas com base do diálogo transparente e com envolvendo de todas as forças vivas do povo Cabinda”.

No mesmo documento o ACC  refere que a organização visitou várias aldeias no interior de Cabinda e os Centros de Refugiados, “onde constatou o estado de abandono, a vulnerabilidade de mulheres e crianças em condições de risco, para além do agravamento das condições com o surgimento da pandemia Covid-19”, e considera que a “pandemia constitui o iceberg sobre as condições de vida já precárias das populações” que “não foram contempladas por nenhum plano de mitigação do Governo local nem pelos diversos apoios disponibilizados pela OMS”.

O Alto Conselho de Cabinda (ACC), criado em Outubro 2019 na capital do Gana, Acra, baseado na convergência de vários movimentos políticos e da sociedade civil de Cabinda, tem como objectivo a busca de soluções pacíficas para o conflito em Cabinda, através do diálogo com o Governo de Angola.

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