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Cabinda: Fidel Casimiro propõe ao FCD para aderir à união dos Cabindas que está em curso

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Na sequência do anúncio do afastamento de António Bento Bembe da presidência do Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD) e a criação de uma Comissão de Transição chefiada por Maurício Nzulu, o presidente da ONG “Adera Solidariedade”, Fidel Casimiro, considera que os “valentes camaradas” conseguiram realizar uma “grande proeza”.

Através de um comunicado Fidel Casimiro lembra a incompatibilidade de António Bento Bembe ser deputado do MPLA e “ao mesmo tempo continuar a considerar-se como o interlocutor no processo de paz em Cabinda” e sublinha que António Bento Bembe “nunca defendeu os interesses do povo de Cabinda” mas “aproveitou-se da sua condição de Membro do Governo para perseguir, intimidar, chantagear e dificultar a vida dos Cabindas que não concordavam com a sua má liderança do FCD”.

O presidente da “Adera Solidariedade” acredita que a Direcção Transitória do FCD vai estabelecer contacto com os “movimentos de cidadãos cabindeses incluindo da sociedade civil” que estão “num novo espírito de união” a fim de se encontrar um consenso na busca de “soluções pacíficas ao caso de Cabinda pela via do diálogo com o Governo angolano”. Neste sentido Fidel Casimiro solicita à Comissão de Transição do FCD “para se juntar a este esforço de união dos Cabindas que está em curso”.

“Temos fé que desta vez, nós os cabindas não iremos cair nos erros do passado”, refere Fidel Casimiro, “como é o caso do separatismo, do familiarismo, do egoísmo, do nepotismo politico, de divisões”.

Por fim o presidente da “Adera Solidariedade” pede ao Governo angolano que “se digne negociar com a estrutura consensual de todas as forças vivas de Cabinda, um acordo de paz credível e definitivo”.

Fidel Casimiro foi primeiro Secretário da Missão Permanente de Angola junto das Nações Unidas, uma nomeação que respeitou o estipulado no “Memorando de Entendimento” assinado por António Bento Bembe com o Governo angolano. Em Outubro de 2018 Fidel Casimiro apresenta demissão desta função como sinal de protesto contra o Governo de Angola, por não estar a cumprir o “Memorando de Entendimento” sobre Cabinda.

Na ocasião, Fidel Casimiro difundira uma carta aberta em que elencava as reais motivações que o levaram a apresentar a demissão, numa altura em que tinha sido nomeado como Conselheiro junto da embaixada de Angola na Guiné-Bissau. “Demos conta que o Presidente do FCD, Senhor António Bento Bembe não estava em condições de defender os interesses do povo de Cabinda, senão só o seu próprio interesse e da sua família”, escreveu Fidel Casimiro que considerava que “o Governo de Angola assinou esse Memorando com a ala mais fraca da resistência dos Cabindas com a intenção “maquiavélica” de continuar o seu domínio e ocupação no território de Cabinda”.

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