Cabinda

Cabinda: FLEC quer abrir um novo capítulo sem Portugal

Cab Jean Claude Nzita
Jean Claude Nzita (Arquivo)

“No momento em que o Dr. Marcelo Rebelo de Sousa vai cumprir o segundo mandato como Presidente da República Portuguesa, a FLEC-FAC recusando ser cúmplice de uma hipocrisia que persiste desde 1975 anuncia que corta todas as relações e contactos com a Presidência da República Portuguesa e com o Governo português”, anuncia a Frente de Libertação do Estado de Cabinda através de um comunicado difundido à imprensa.

No mesmo documento, assinado pelo porta-voz e responsável das relações externas da organização, Jean Claude Nzita, o movimento independentista recorda que “os diversos Presidentes da República Portuguesa e Governos portugueses intencionalmente sempre ignoraram o martirizado povo de Cabinda e os sucessivos apelos da FLEC-FAC e da sociedade civil cabindesa”, e que “unicamente estabeleceram contactos e compromissos com a FLEC-FAC quando o interesse era exclusivamente de Portugal”.

A FLEC-FAC crítica também os presidentes e governos portugueses por nunca condenarem Angola “pelas ininterruptas violações dos direitos humanos em Cabinda”, e terem optado por “favorecer os três ditadores que dirigem a República de Angola desde 1975”, lê-se no documento.

A organização independentista cabindesa sublinha que permanece todavia de “braços abertos à população portuguesa e às organizações não-governamentais que sempre solidarizaram-se com o povo de Cabinda” bem como “reafirma a honra de Cabinda e do seu povo partilhar um passado e herança histórica comum com Portugal, como afirma com honra e dignidade que respeita os compromissos e tratados firmados pelos nossos antepassados”.

O porta-voz e responsável das relações externas da organização, Jean Claude Nzita, informa também que a Direcção Política Militar do movimento “suspende todos os representantes FLEC-FAC em Portugal”.

Contactado pela nossa redacção Jean Claude Nzita explicou que a FLEC-FAC “tomou nota do silêncio constante das autoridades portuguesas sobre Cabinda” e por esse motivo a Direcção Política Militar da FLEC-FAC, que reuniu nas suas bases, “decidiu cortar todos os contactos e relações com a presidência e governo portugueses e abrir um novo capítulo das suas estratégias diplomáticas, sem contar com a presidência ou governo de Portugal”.

Jean Claude Nzita confirmou também que Direcção Política Militar da FLEC-FAC “passará a privilegiar e canalizar os seus contactos para instituições e Estados que recentemente manifestaram-se sensíveis e disponíveis para a questão de Cabinda”.

© e-Global Notícias em Português
1 Comentário

1 Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Topo