Cabinda

Cabinda: Nacionalistas reagem à detenção de líderes de organização independentista

Tchiowa (Arquivo)

Maurício Gimbi, fundador e presidente do movimento União dos Cabindeses para a Independência (UCI), o seu vice-presidente André Leo Bônzela e o Chefe do Gabinete presidencial da UCI, João da Graça Mampuela, foram formalmente acusados pelo Ministério Público de “associação criminosa, associação de malfeitores, rebelião e ultraje ao Estado”.

Os membros da UCI, Maurício Gimbi e André Leo Bônzela, foram detidos a 28 de Julho na região de Buco N´goio, por agentes dos serviços de segurança angolanos, por, supostamente, terem organizado com um grupo de jovem a colagem de pequenos panfletos em várias ruas da cidade de Tchiowa, em que constava “Abaixo as armas, abaixo a guerra em Cabinda”, “Cabinda não é Angola”, “Queremos diálogo”. A 30 de Junho, João da Graça Mampuela, foi igualmente detido.

Para o activista dos Direitos Humano, José Marcos Mavungo, a detenção dos “activistas políticos Maurício Bifica Baza Ngimbi, António Bônzela e João Mampuela vem mais uma vez chamar a nossa atenção para o facto de que Estado angolano não evolui, está estagnado numa época passada, a da ditadura afro estalinista do regime nestes últimos 45 anos, na qual a violação da lei e o crime é a virtude dos governantes”.

José Marcos Mavungo: “Estado angolano não evolui, está estagnado numa época passada, a da ditadura afro estalinista”

“Os três activistas políticos de Cabinda não fizeram nada de errado”, sublinhou José Marcos Mavungo. “Pelo contrário, mostraram-se apenas como homens de bem, a lutar pela paz em Cabinda. Ao pronunciarem-se sobre a ‘Questão de Cabinda’, estavam em pleno exercício de um direito fundamental de um Estado de direito – a Liberdade de opinião. A detenção inscreve-se apenas na habitual estratégia do regime: calar as vozes incómodas, estes espíritos irreverentes, que não cessam de imprimir críticas na actual gestão do conflito em Cabinda. Mas, a atitude repressiva do regime nunca vai deixar de ter efeitos “contraproducentes”: vincar a identidade cultural e sentimento nacionalista na sociedade cabindense”, defendeu José Marcos Mavungo.

Também reagindo às detenções dos membros da UCI, Carlos Vemba, presidente do Movimento Independentista de Cabinda (MIC), disse que “é notório que o povo de Cabinda coabita com o terror desde 1974, o ano da ocupação manu millitari das forças angolanas. Passados quase cinco décadas a metrópole de Luanda continua com as mesmas tácticas maquiavélicas face aos nacionalistas cabindeses, e o actual Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço continua a dar sequência fielmente às pegadas dos seus antecessores quanto à questão de Cabinda: continuam as perseguições, detenções arbitrárias, torturas, julgamentos sumários encomendados e assassinatos de civis e de todos aqueles que não aceitam impávida e democrática a subjugação imperialista angolana”.

Carlos Vemba: “O povo de Cabinda coabita com o terror desde 1974”

“Por se tratar de uma luta identitária o MIC pede a arbitragem da ONU, UA e a UE na questão de Cabinda, a comunidade internacional não pode continuar calada e tapar o sol com uma peneira como se não houvesse nada ou, talvez, estão à espera que aconteça um genocídio tal como aconteceu na Birmânia com o grupo étnico Royinga, ou Ruanda etc para depois pronunciarem-se sobre esse diferendo?! Cabinda não pode ser importante apenas quando é para falar do petróleo e de outros recursos, os cabindeses precisam de liberdade como outros povos do mundo, incluindo os angolanos”, sublinhou Carlos Vemba.

Afonso Justino Waco: “Cabinda continua, afinal, a ser o palco do exercício da ditadura”

Para Afonso Justino Waco, “mais uma vez, jovens detidos em Cabinda sem qualquer motivo aparente. Cabinda continua, afinal, a ser o palco do exercício da ditadura, expressa sob forma de opressão e repressão política, bem como de violação constante das liberdades individuais. O mais estranho é mesmo o facto de Cabinda ser o único lugar em Angola, onde esta brutalidade estatal e institucionalizada tem lugar. Por esse motivo o Alto Conselho de Cabinda apela para o despertar das consciências dos cabindeses para caminharmos juntos, como um só homem, na busca de uma solução pacífica justa à questão”.

Belchior Lanso Tati: “Estamos fartos do MPLA. Ele quer nos dizimar”

Belchior Lanso Tati, Secretário-geral Executivo da Frente Consensual Cabindesa (FCC) contou que o Bureau Politico do MPLA pedira à FCC a 03 de Março de 2017 uma “reunião alargada com todos do interior” na sede do Comité Central, no entanto, “não foi possível na altura, mas estamos a fazer a concertação interna para a união da acção” e “prendem os irmãos da UCI para boicotarem a iniciativa”. Para Belchior Lanso Tati a “omissão da actual direcção do problema de Cabinda, vai levar-nos de novo, todos nós à cadeia. Estamos fartos do MPLA. Ele quer nos dizimar”.

Jorge Lima Muanda: “As práticas de terrorismo do governo (…) de Angola em Cabinda vai um dia provocar um levantamento popular”

“Considero as detenções arbitrárias dos membros da UCI como mais um ataque físico e psicológico realizado pelo governo invasor e ocupante de Angola em Cabinda, por outro lado este mesmo Governo continua intensificar a pressão no Território de Cabinda”, defendeu o presidente do Movimento de Libertação de Cabinda (MLC), Jorge Lima Muanda. “Segundo fontes os arguidos foram detidos sem mandatos de captura e foram torturados fortemente, violando assim mais uma vez os Direitos humanos dentro do Estado de Cabinda”.

Para Jorge Lima Muanda, as “práticas de terrorismo do governo invasor e ocupante de Angola em Cabinda vai um dia provocar um levantamento popular e quando este Governo invasor de Angola pensa que é mais poderoso que a Comunidade Internacional então nesse dia é que se prepare porque terá que exterminar todo povo de Cabinda, depois de os Cabindas serem exterminados a Comunidade Internacional poderá ter asas para voar e resolver este conflito político militar que está acabando com o meu povo”.

Maurício Nzulu: “Esta forma de agir apenas vai inflamar o ódio e a rebelião na província”

O Presidente do Fórum Cabindês para o Diálogo (FDC), Maurício Nzulu disse que o FCD “condena de lamenta todo o tipo de repressão de massas através de detenções arbitrárias. Esta forma de agir apenas vai inflamar o ódio e a rebelião na província. É evidente que através de esta forma de agir os organismos que lutam pelos direitos humanos irão focalizar-se na situação política em Cabinda e pôr o Governo no banco dos réus pela violação dos direitos fundamentais dos cidadãos na província de Cabinda. Não ajuda na busca de uma solução viável do conflito que opõe a população de Cabinda e o Estado angolano. Encorajamos e apoiamos um diálogo inclusivo como o único meio para uma solução e estabilidade política nesta crise, está é a posição do FCD”.

FLEC-FAC: “União Europeia e a Comunidade Internacional têm de levantar o tom face a Angola”

Também a Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC-FAC), através do seu secretário-geral, Jacinto António Téli, reagiu denunciando a “prisão arbitrária e detenção ilegal” dos membro da UCI, que foram “torturados pela polícia angolana”. A FLEC-FAC exige a “libertação imediata e sem condições” dos membros da UCI e apela “à União Europeia e à Comunidade Internacional para levantar o tom face a Angola e adoptar medidas eficazes para pressionar o Estado angolano” a “pôr termo à repressão contra a população cabindesa”.

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