Cabinda

Cabinda: Os militantes do MIC continuam mobilizados, garante António Tuma

António Tuma

As acusações que ainda recaem sobre os onze elementos do Movimento Independentista de Cabinda (MIC) que permanecem detidos são difusas. Todavia, continuam detidos desde Janeiro o presidente da organização, Maurício Bufita Gimbi; o vice-presidente, António Marcos Soqui; secretário para os Assuntos Religiosos, Alfredo Duda, e o secretário adjunto, Filomão Futi; secretário para a Mobilização, Eduardo Muindo; secretário para a Formação de Quadros, Filipe Macaia Luemba; e o secretário para Organização de Eventos, João Mampuela. Assim como os militantes Maria Mambo Deca, Alberto Cibi Puna, Maurício Chocolate Tati e o Representante do Núcleo do Povo Grande, Daniel de Oliveira.

“Não conseguimos compreender até agora as razões destas detenções, mas, segundo o instrutor do processo, Simão Álvaro, é provável que ainda esta semana oito dos detidos sejam libertados. Na semana passada já disseram o mesmo, e agora repetem”, disse à e-Global António Tuma, secretário adjunto para a Informação e Comunicação do MIC, que de 28 de Janeiro até 28 de Fevereiro fez parte dos 51 elementos do MIC presos por pretenderem efectuar uma marcha comemorativa da assinatura do Tratado de Simulambuco. “Estamos a aguardar, se não forem libertados, vamos estudar uma forma de pressão diferente”, disse.

Segundo António Tuma os onze elementos detidos estão “muito debilitados fisicamente, mas continuam motivados”. No entanto, com o objectivo de pressionar psicologicamente os detidos, começou a circular a informação, cuja veracidade não possível confirmar, que indica que a Segurança do Estado pretende “cancelar os salários dos pais dos membros do MIC que trabalham na função pública se estes continuarem a defender ideias independentistas”.

A partir da prisão, Maurício Gimbi, presidente do MIC pediu aos membros do movimento para “terem calma. Mas se for necessário poderemos inverter o quadro e fazer algumas acções”, disse António Tuma.

A detenção dos principais dirigentes do MIC, não afectou a “motivação e determinação” dos militantes e simpatizantes do Movimento, garantiu secretário adjunto para a Informação e Comunicação da organização. No funcionamento do Movimento, “apenas foi suspensa a emissão dos cartões para novos membros do MIC”, explicou.

“Suspendemos por uma questão de segurança. Estamos apenas a receber as pessoas. Para obterem o cartão, os novos aderentes agora têm de dar provas de trabalho pelo MIC. Por exemplo, com a participação nas nossas actividades. Quem pretende aderir ao MIC, pode aderir, mas não recebe no imediato o cartão. De acordo com a implicação do novo aderente do MIC, decidimos se recebe ou não o cartão de aderente”.

Sobre o anúncio da criação de uma Comissão de Transição no Forum Cabindês para o Diálogo (FCD), António Tuma disse que o MIC não se revê na plataforma do FCD. “Consideramos que não é uma plataforma credível. É mais uma fachada do Governo angolano, com alguns cabindas ali acomodados que tentam ofuscar a actual situação de Cabinda”, disse.

Para António Tuma, a substituição de António Bento Bembe por Maurício Nzulu à frente do FCD, é “exactamente a mesma que a situação do MPLA hoje. Muda o motorista mas o carro é sempre o mesmo”.

Apesar das detenções e das pressões contra o Movimento independentista, António Tuma garante que o MIC não vacilou nas suas metas. “O principal objectivo do MIC é a independência de Cabinda”, precisa o secretário adjunto para a Informação e Comunicação da organização, que considera que atingir a independência por via do um referendo seria uma “mais-valia” porque a “maioria do povo de Cabinda sempre defendeu a independência”.

“Um referendo que deveria contar com a monitorização e fiscalização de organizações internacionais, mas também com a presença de observadores de França, Holanda, Inglaterra e Portugal, ou seja, os países que partilharam um período da sua história com Cabinda”, explicou.

“Após a independência de Cabinda é que será possível formar um governo inclusivo e participativo com as outras organizações locais e organizações credíveis que mostraram uma acção na defesa o povo. Mas não com as organizações que surgiram apenas para acomodação dos seus membros e defenderem interesses pessoais, não os interesses do povo. Para o MIC essas organizações não podem vir a fazer parte de um futuro governo inclusivo e participativo”, defendeu António Tuma.

Relativamente ao silêncio da Comunidade Internacional sobre a questão de Cabinda, António Tuma considerou que é o resultado da “falta de seriedade” que alguns cabindas demonstraram. “Temos, por exemplo, o caso de António Bento Bembe que reuniu muito apoio internacional, mas acabou por assinar acordos com o próprio opressor. Bento Bembe traiu muita gente que depositara confiança nele. Este tipo de atitudes faz com que Cabinda perca credibilidade junto da Comunidade Internacional. Hoje o MIC está a tentar resgatar essa credibilidade e confiança, e para isso temos de mostrar a nossa luta, que somos sérios, firmes e coerentes”, defendeu António Tuma, secretário-adjunto para a Informação e Comunicação do Movimento Independentista de Cabinda (MIC).

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