Cabinda

Cabinda: Pangamongo e Sangamongo palco de combates entre a FLEC-FAC e as FAA

Arquivo / FLEC-FAC

As aldeias Pangamongo e Sangamongo, no município de Buco Zau, região de Necuto, em Cabinda, junto à fronteira com a República Democrática do Congo (RDC) foram o palco de novos combates entre a Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC-FAC) e as Forças Armadas Angolanas (FAA).

Segundo Sebastião Muindo Jr, comandante da FLEC-FAC da zona operacional de Necuto, os combates ocorreram na quarta-feira 8 de Julho. Nesta acção dois soldados angolanos perderam a vida, assim como três civis, e três militares da FLEC-FAC ficaram feridos.

Sebastião Muindo Jr precisou que os combates foram desencadeados por uma das FAA contra as posições da resistência cabindesa, que provocou uma resposta da FLEC-FAC.

O mesmo militar acusou as FAA de levarem a cabo acções em que “civis inocentes” tornam-se “alvos”, e terá sido neste contexto que militares angolanos abateram três civis e prenderam outros que foram “acusados de pertencerem à FLEC”.

Silêncio de Angola

O Governo e a presidência angolana recusam reconhecer que as FAA têm sofrido numerosas baixas nos combates em Cabinda, no entanto, deputados na assembleia em Luanda já levantaram a questão sobre o agravamento da actividade militar em Cabinda.

O Bloco Democrático (BD), um dos seis partidos angolanos que integram a coligação Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE), foi mais longe e propôs “um imediato cessar-fogo” e durante o qual sejam criadas condições “para o estabelecimento do diálogo fraterno, com o apoio da sociedade civil, Igrejas e políticos, com vista à paz”.

Angola perde a guerra da comunicação

O ambiente de guerra em Cabinda tem também ecoado na imprensa portuguesa, francófona e anglófona, que não ficou indiferente às dezenas de mortos anunciados pela FLEC-FAC, mas também à repressão que sido levada a cabo em Cabinda contra activistas que reclamam a independência de Cabinda e o fim da guerra.

Optando pelo silêncio, Luanda começa a perder a guerra da comunicação e consequentemente não está a conseguir impedir a internacionalização da questão de Cabinda, deixando assim de ser “um problema interno de Angola”, tal como Luanda sempre pretendeu impor.

Luanda permanece também silenciosa perante os vários relatos de que militares angolanos penetram insistentemente nos países vizinhos, RDC e Congo Brazza, supostamente com a missão de capturarem combatentes da FLEC-FAC, e deixando em cada acção vitimas mortais nos campos de refugiados e em aldeias congolesas.

Acções que motivaram protestos de autoridades congolesas e que tem elevado a tensão entre Angola e os seus vizinhos, particularmente junto das populações congolesas que já vêem os angolanos como “invasores”.

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