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Cabinda: Prossegue vaga de detenções contra nacionalistas e independentistas

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A nova vaga de detenções de nacionalistas cabindeses no enclave iniciou quando o Movimento Independentista de Cabinda (MIC) preparava uma marcha comemorativa do 134º aniversário da assinatura do Tratado de Simulambuco a 1 de Fevereiro.

As primeiras detenções atingiram três membros próximos da direcção do MIC, foram seguidas pela detenção de toda a direcção da organização e vários militantes. Segundo dados avançado por activistas cabindeses, 77 pessoas do MIC e com ligações ao movimento terão sido detidas, um número que não foi possível confirmar. No entanto, 63 foram constituídos arguidos tendo sido decretada a prisão preventiva.

“Durante os interrogatórios todos assumiram-se como independentistas e não recuam”, disse fonte que está a acompanhar o processo em Cabinda.

Insistindo que “a luta deve prosseguir por meios pacíficos”, os militantes do MIC comunicaram às famílias para não levarem mantimentos ao centro de detenção a partir desta segunda-feira, 18 Fevereiro, tendo os militantes ameaçado iniciar uma greve da fome por “tempo indeterminado”.

“A campanha de caça às bruxas contra activistas sociais, que iniciou a 28 de Janeiro, ainda não acabou e o número de detidos está sempre a aumentar”, disse à e-Global José Marcos Mavungo, activista dos Direitos Humanos em Cabinda.

Segundo José Marcos Mavungo a lista que foi transmitida ao tribunal pelo Ministério Público é constituída por dois grupos. O primeiro é constituído por 28 pessoas, que foram detidas entre 28 e 29 de Janeiro, o segundo de 34 pessoas detidas a 31 de Janeiro e 1 de Fevereiro. “Foi detido também um jovem activista que tentou gravar dissimuladamente uma conversa com o delegado. Foi descoberto e detido”.

José Marcos Mavungo afirma que “todos os arguidos foram detidos sem mandato de captura” e foram “indiciados por alegada prática de associação criminosa, rebelião, ultraje ao Estado e crime de resistência”, não tendo ainda sido anunciada a data de julgamento.

O activista dos Direitos Humanos referiu também que “vários jovens foram, de livre vontade, apresentar à polícia, em solidariedade com os activistas detidos”, sendo detidos e indiciados pelos mesmos crimes.

A vaga de detenções contra os independentistas em Cabinda atinge também grupos religiosos acusados de promoverem as correntes nacionalistas.

Esta segunda-feira, 18 de Fevereiro, através de um comunicado, a direcção política da Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC) denunciou a detenção “arbitrária e abusiva” de membros da Igreja MPCA (Ministério Profético Cristão de Angola em Cabinda).

O mesmo documento dá conta que a detenção terá ocorrido no sábado 16 de Fevereiro quando o líder da MPCA, o profeta João Paulo, Asião Luís e o pastor Pedro, entre outros fiéis, “foram violentamente reprimidos e enviados para a cadeia civil da Polícia de investigação criminal PGR DPIC de Cabinda”, e que precisa que “a população revoltou-se e tentou impedir as detenções injustificadas do profeta João Paulo e dos seus oito membros, levando a polícia a disparar três vezes para dispersar os fiéis”.

Dados recolhidos pela FLEC indicam que entre os detidos foram identificados João Pambo Peso Cândido Luís Temo, Luis André, Gilberto Lubota assim como o chefe do protocolo da Igreja MPCA, o evangelista Eduardo.

O líder religioso igreja MPCA, o profeta João Paulo, é localmente conhecido pelos seus sermões em defesa da autodeterminação e independência de Cabinda.

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