Cabinda

Cabinda: FLEC/FAC considera que reunião no Gana foi “mais um golpe contra a dignidade cabindesa”

Alexandre Tati

No quadro da comemoração do 45° aniversário do início da resistência armada em Cabinda, a Frente de Libertação do Enclave de Cabinda / Forças Armadas Cabindesa (FLEC/FAC) difundiu um comunicado em que lembra a efeméride e apresenta as suas considerações sobre a reunião intercabindesa que decorreu em Acra no Gana, que a organização qualifica de “mais uma ofensa contra a dignidade do Povo de Cabinda”.

Para a FLEC/FAC a reunião de Acra revelou sinais de “discrepâncias internas à iniciativa, descoloração, desconexão e incoerência notáveis com a realidade política da luta de libertação nacional levada a cabo pelo Povo de Cabinda”, pode ler-se no documento.

Sobre a mesma reunião, o movimento chefiado por Alexandre Tati acusa Angola de utilizar vias sociais e meios diplomáticos para “calar e isolar a resistência cabindesa, de formas que não se pode estranhar arranjos com organizações não-governamentais, como fazem com o OAD, a Fundação Kofi Annan, evitando inteligentemente os Estados com tal competência e prerrogativas no quadro da política africana de prevenção e resolução de conflitos”, refere o mesmo documento que destaca que “não são também a estranhar contactos da Secreta Angolana a serviços da segurança nos países vizinhos influenciando aproximações directas ou indirectas com Alexandre Tati Builo para persuadi-lo de aceitar Gana”.

“Entre Angola e OAD não temos precisões exactas, mas o objectivo primário do Gana é abrir ‘negociações incondicionais’ com o Governo angolano e provavelmente em Luanda”, refere o documento da FLEC/FAC que critica os cabindeses que consideram que João Lourenço é mais moderado que José Eduardo dos Santos “quando a realidade no terreno diz outra coisa, isto é: MPLA sempre igual a MPLA apesar dos seus actuais problemas internos (…) Face a este tipo de carapaça angolana o Povo de Cabinda e todas as suas forças vivas deve unir-se como um só homem, decretar uma moratória de suas querelas intestinas e engajar-se numa resistência patriótica concertada a fim de forçar Angola e Portugal a um verdadeiro diálogo político sob auspícios das Nações Unidas com vista à autodeterminação política de Cabinda sem a qual não haverá paz sustentável nem qualquer tipo de desenvolvimento para Cabinda, como aliás observamos ao longo destes 44 anos de ocupação manu militari”.

A FLEC/FAC criticou também que na reunião de Acra não foi observado “o minuto de silêncio para homenagear os heróis tombados e que continuam a tombar pela pátria que até hoje sangra em algemas do jugo estrangeiro” assim como não ousaram “denunciar com força a violação dos direitos humanos em Cabinda, os raptos, os assassinatos angolanos nos países vizinhos, as prisões políticas e extrajudiciárias contra vozes activas no interior”, assim como outros crimes elencados pela organização.

A organização da resistência cabindesa lamentou ainda, no mesmo documento, que na reunião de Acra “ninguém ousou falar da autodeterminação política para Cabinda sob pena de represálias por parte dos financiadores do evento”, e destacou que os “documentos finais apenas fazem uma pequena menção dos antigos combatentes ignorando os que ainda resistem nos maquis, talvez por serem ‘iletrados ou incompetentes’”.

“Se fossemos como os outros povos, Gana teria servido para repensar Cabinda e sua resistência à procura de condições políticas e diplomáticas favoráveis à sua autodeterminação política, em vez de imaginar negociações com a faca na garganta. Aliás, Angola não quer negociar com Cabinda que considera sua colónia”, considerou a FLEC/FAC.

© e-Global Notícias em Português
Comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Topo