João Lourenço em Cabinda durante ataques da FLEC e apelos ao direito à autodeterminação

Presidente João Lourenço Angola

O Presidente angolano João Lourenço inicia esta quinta-feira 21 de Abril uma deslocação a Cabinda. Uma visita que acontece poucos dias depois de as FLEC lançarem um conjunto de ataques em Cabinda e várias organizações políticas cabindesas apelarem conjuntamente a que Luanda “reconheça o direito do povo cabindense à autodeterminação”.

Interpretada localmente como uma visita de carácter eleitoral, o Presidente angolano vai inaugurar várias infra-estruturas mas também reunir com representantes da sociedade civil, organizações religiosas e entidades tradicionais. Na sua agenda João Lourenço tem previsto participar num comício partidário no Estádio Municipal do Tafe.

A visita de João Lourenço acontece poucos dias depois de as duas alas da guerrilha independentista de Cabinda reivindicar várias acções militares no território.

A 11 de Abril o Comandante da Região Militar do Belize da FLEC, Gelson Fernandes N’Kasu, anunciou que “doze militares das Forças Armadas Angolanas (FAA) e quatro civis foram mortos” em dois confrontos nas aldeias de Kisungo e Tando Maselele, na região de Maiombe. Nestas operações a FLEC recolheu diverso material militar assim como difundiu documentos de militares angolanos mortos nas acções.

Também, a 14 de Abril, confrontos nos arredores de Chicamba entre comandos da FLEC e uma força mista da Polícia-FAA causaram a morte de sete soldados angolanos e provocaram dois feridos, anunciou Silvestre Luemba, comandante da Frente Centro da FLEC. A 18 de Abril o mesmo militar da resistência independentista informou que ocorreu outro confronto entre os combatentes da FLEC e soldados angolanos no destacamento de Manenga, na região de Massabi, que causou a morte de 10 militares das FAA e de um guerrilheiro.

Aproveitando a deslocação do chefe de Estado angolano a Cabinda, um conjunto organizações políticas de Cabinda com sede no território, composto pela Frente Consensual de Cabinda (FCC), Movimento de Reunificação do Povo de Cabinda para a sua Soberania (MRPCS), União dos Cabindenses pela Independência (UCI), Movimento Democrático de Cabinda (MDC) e Os Democratas Liberais de Cabinda (DLC), dirigiram a 18 de Abril uma carta a João Lourenço na qual apelam a que reconheça o direito do povo cabindense à autodeterminação “da mesma forma que reconhece os do Saara Ocidental”.

As cinco organizações políticas cabindesas apelam também à agilização de “mecanismos da actuação política nacional e internacional (…) permitindo assim um cessar-fogo entre o Governo e as Forças de Libertação de Cabinda, os dois beligerantes, capaz de travar as consequências nefastas provocadas pelo conflito armado, entre as quais sobressai a posse de Cabinda por parte de Angola”, lê-se no documento.

“Achamos imprescindível e irreversível abrir as portas às Organizações Políticas de Cabinda, aproveitando esta soberana oportunidade para resolver o diferendo político, existente desde 1975 até esta data, por via pacífica, evitando a repressão pelo uso de força de armas e violência política”, defendem as cinco organizações políticas cabindesas na carta dirigida ao chefe de Estado angolano.

Na diáspora, o Alto Conselho de Cabinda (ACC) emitiu também a 20 de Abril um comunicado em que recomenda ao Governo angolano a convidar “de imediato, os Movimentos armados de Cabinda e demais forças políticas daquele território para se discutir os mecanismos de um cessar-fogo sob o fundo de preparação das conversações políticas, visando a solução definitiva do problema de Cabinda”.

No mesmo documento assinado pelo Coordenador da Comissão pelas questões Políticas e Porta-voz da organização, Afonso Justino Waco, o ACC apela a que “o governo de Angola renuncie à sua ganância aristocrática e anuncie publicamente a existência, por seu lado, de uma vontade política genuína de resolver o diferendo numa mesa das negociações, na qual serão convidadas todas as forças políticas de Cabinda, desde as armadas e as não-armadas”.

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