Líder da FLEC quer que João Lourenço se separe dos ‘marimbondos’ da questão de Cabinda

O líder da Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLECI, Emmanuel Nzita, disse à e-Global que o presidente João Lourenço optou “definitivamente pela via militar para resolver a questão Cabinda” e que “excluiu completamente a via pacífica através do diálogo”.

Para Emmanuel Nzita o presidente angolano “é um presidente de paradoxos”. Por um “lado reconhece os crimes e assassinatos perpetrados pelo MPLA em crises internas em Angola, e por outro nega reconhecer os crimes sucessivos e ainda em curso do MPLA em Cabinda. Defende a via pacifica para a resolução dos conflitos, mas cada vez mais envia militares para Cabinda e recusa qualquer diálogo”.

Segundo o líder da organização independentista cabinda, a FLEC está também perante a “problemática, de não ter um interlocutor válido em Angola para dialogar e iniciar o processo para por fim ao conflito em Cabinda”.

“Há cada vez mais emissários do presidente angolano para negociar com a FLEC e cada um chega com uma proposta diferente. O único ponto em comum entre todos estes emissários é que todos dizem que estão mandatos pelo presidente angolano”, contou Emmanuel Nzita. “Neste momento a FLEC já não sabe quem é de facto emissário de João Lourenço e quem não é. Mas estamos conscientes que todos mentem ao presidente angolano sobre a questão de Cabinda”.

Emmanuel Nzita lembrou que “durante algumas décadas a presidência angolana afirmara que não sabia com que organização cabindesa poderia negociar. Mas a realidade é a FLEC que não sabe com qual emissário angolano negociar, e qual transmite de facto as posições e propostas da FLEC, sem as adulterar, ao presidente angolano”.

“Este vai-e-vem de mentiras, dos emissários de Luanda, contribui nas incoerências patentes nos discursos de João Lourenço, que defende a prioridade ao diálogo como meio preferencial na resolução dos conflitos em África, mas em Cabinda optou pela supra militarização e repressão feroz”, salientou Emmanuel Nzita. “Por isso acreditamos que João Lourenço não tem um conhecimento real da disponibilidade e propostas da FLEC para o diálogo. Por esse motivo, e para o estabelecimento de contactos sérios com a FLEC, o presidente angolanos tem de separar-se urgentemente dos ‘marimbondos’ dos minam sucessivamente qualquer possibilidade de contacto ou entendimento”.

“Como é possível que o presidente angolano queira contribuir activamente na resolução dos conflitos em países africanos e não consiga resolver o conflito em Cabinda em que Angola é o principal beligerante. É um paradoxo que expõe as fraquezas de João Lourenço, e do seu staff, no continente africano e ridiculariza Angola”, disse Emmanuel Nzita.

Emmanuel Nzita referiu também que Luanda “tentara impor à direcção da FLEC ter de negociar previamente com o Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD), como o organismo do MPLA que aglutinaria todas as propostas de negociação sobre o conflito em Cabinda, antes de estas serem transmitidas à presidência angolana”.

Uma exigência que Emmanuel Nzita sempre recusou, e lembrou que o FCD foi criado na Holanda pela FLEC e a sociedade civil cabindesa, mas que acabou por transformar-se “numa organização totalmente adulterada, contrária aos seus princípios iniciais e com uma missão distinta de aquela que justificara a sua criação. O FCD não é uma organização credível para a FLEC, nem para a presidência angolana!”, vincou o líder da FLEC.

“Por outro lado”, sublinhou Emmanuel Nzita, “não sabemos quem é que representa realmente o FCD tendo em conta que é uma organização em que Maurício Nzulu, António Bento Bembe e Zenga Mambo dizem, respectivamente, ser o único e legitimo presidente da organização e entre eles há uma guerra de chefias e protagonismos”.

“A questão de Cabinda é muito séria. A FLEC tem de ter um interlocutor válido em Angola. O presidente João Lourenço tem primeiro de arrumar a sua casa, separar-se dos ‘marimbondos’ da questão de Cabinda, evitar impor-nos organizações fantoches, e depois disso poderemos dialogar seriamente”, disse o líder da Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC), Emmanuel Nzita.

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