Cabo Verde: Walter Barros luta contra a criminalidade com o projeto “Believe”

O projeto “Believe”, foi criado dentro da cadeia de são Martinho pelo Walter Barros, em novembro de 2017 depois de ser preso.

Segundo Walter Barros, mais conhecido por “Tochi”, nascido e criado no bairro Tira Chapéu, mais concretamente no “Fundo Cobom”, na Cidade da Praia, “fiz esse projeto porque existem muitos jovens pobres na cadeia, pobre no sentido mental e espiritual, acreditam que não conseguem vencer se não for na vida do crime”.

“Estive quase 6 meses na prisão por ter envolvido (relação amorosa), com uma menor de idade, na época eu era um campeão de Cabo Verde e melhor por 2 anos consecutivos no boxe, e acabei por perder o meu sonho de lutar profissionalmente internacional em Portugal posteriormente Inglaterra” conta Walter Barros durante a entrevista com o jornal E-Global.

O projeto arrancou oficialmente em 5 julho de 2021, e tem como propósito primordial de acabar com a criminalidade pela raiz, trabalhando com crianças, e com os jovens que estão dentro do sistema carcerário.

A implementação do projeto “Believe” é feito na prática, acompanhando as crianças do bairro até a sua vida adulta, a forma de financiamento do projeto é feita com o dinheiro do mentor e pequenos apoios de emigrantes que residem fora de Cabo Verde que sustentam o projeto.

De acordo com o mentor do projeto, “sendo um incentivador da minha comunidade fica mais fácil trabalhar, com a sociedade e ter a cooperação da população”. Acrescentou ainda que vendem as “telas que as crianças e os jovens do bairro pintam na nossa oficina, temos rapazes que trabalham com serralharia, ensinamos boxe para as crianças, isso tudo é realizado em dois espaços que desenvolvemos estes projetos.”

O primeiro espaço é uma Instituição que criado pelo Walter Barros, a “Instituição de desporto Walter Barros”, em que ali recebem as reuniões e serve simultaneamente como um espaço para pessoas comprarem as telas, e o segundo espaço é de multiuso, um quintal de terra batida, onde possui ringue e saco de boxe que as crianças treinam e também um lugar em que os jovens fazem trabalhos por encomenda.

Testemunho:

Gelson Pires, um jovem que era “thug”, e queria vender a sua moto para comprar uma pistola de 9 milímetro, de forma a fazer no seu quintal uma “boca de fumo” para vender drogas, porque trabalhar como pedreiro, não chegava para pagar as contas. Foi convencido pelo Walter Barros a trabalhar com ele, ajudando as crianças na esperança de um dia a vida deles iria mudar.

“Antes do projeto Believe, tinha outro projeto na minha cabeça que era totalmente deferente, tinha uma moto de marca Honda em casa de 650 cilindrada, que custava em torno de 300 contos. Com a venda da moto iria abrir um bar aqui na minha casa que atualmente é o espaço de Believe, queria também comprar uma arma, e alguns quilos de cocaína para vender na comunidade, porque já estava cansado com a vida de pedreiro. Queria fazer a minha vida de uma outra maneira, e já tinha experiência nessa vida (de criminalidade). Mas o Wlater chegou em mim e me convenceu até eu não sei como ele conseguiu isso” explica Gelson Pires.

Baustana, um Jovem que passou 10 ano preso, e quer trabalhar diretamente com os presos dentro da cadeia para não voltarem novamente para o crime.

Um grupo constituído por 11 jovens, com 2 ex-recluso, que quer acompanhar as crianças e que querem também chegar no sistema carcerário, e na comunidade, porque acreditam que se a ordem vier de fora para dento, o problema de violência acabará.

É de referir ainda que este grupo quer passar 8 meses a trabalhar com crianças dos bairros arredores, nomeadamente: Casa Lata, Tira-Chapéu, Fundo Cobom, e Achada Santo António, em que as crianças irão deslocar para o espaço do “Believe”, o intuito é apoiar o maior número de crianças possível, para incitar outros a fazer um trabalho que irá auxiliar a comunidade a desenvolver e a não focar somente na sobrevivência.

 “Todos precisamos de uma causa maior do que nós” assevera Walter Barros.

Anícia Cabral.

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