Cabo Verde

Cabo Verde: Assembleia Municipal de São Vicente aprova orçamento para 2020 com votos do MpD

© MpD - Movimento para a Democracia

A Assembleia Municipal de São Vicente aprovou o orçamento e o plano de atividades para 2020 com 11 votos a favor do MpD, partido no poder, que diz ser “exequível”. Já o PAICV e a UCID, da oposição, deram sete contra e reclamaram a quebra no valor.

Foi apenas com votos do MpD que os documentos de gestão camarária foram aprovados, tendo o representante da formação política, Flávio Lima, considerado o orçamento exequível para “manter e consolidar” os programas da câmara municipal.

“Nós temos que relembrar que 2020 será um ano atípico, de eleições autárquicas, em que seis meses antes a câmara vai estar em gestão corrente, quer dizer que não é um ano para muitas aventuras e de recorrer a grandes projetos, mas sim para finalizar os projetos”, afirmou, adiantando que a diminuição de 1 milhão e 150 contos (9.070 euros) em 2019 para 946 mil contos (8.579 euros) em 2020 não vai impedir a edilidade de fazer o seu trabalho.

Como tal, referiu que o partido não teve problemas em aprovar o orçamento, até porque, criticou, não há articulação nos argumentos da oposição, que dissera antes que o orçamento de 2019 estava “inflacionado”.

Por sua vez, o PAICV declarou que não há concordância quando a “câmara faz um discurso de otimismo, de que as coisas estão a melhorar, mas apresenta um orçamento que regride em relação aos valores do ano passado, dando a impressão de que as não estão tão bem”. O líder da bancada, Baltazar Ramos, apontou como indícios a “redução significativa” na cobrança de impostos, de cerca de 29,4%, o que quer dizer que “a atividade económica municipal está a ter retração”, lançou, apontando ainda a “queda drástica” nos investimentos.

O eleito municipal fez comparação com anos anteriores, em que a realização ficou em 70%, perspetivando sendo assim a realização do próximo ano deverá ficar pelos 700 mil contos (6.348 euros). “Isso quer dizer que São Vicente está a operar baixo das suas potencialidades”, sublinhou Baltazar Ramos, para quem a “câmara não coloca perspetivas neste orçamento e, portanto, as coisas não vão melhorar”.

Também a UCID vê de “forma negativa” a quebra em cerca de 1.600 contos (cerca de 14, 5 euros), uma vez que “São Vicente precisa de muito mais”. Segundo a líder da bancada, Isidora Rodrigues, a edilidade deveria fazer um “orçamento mais robusto” para colmatar a situação da seca, que tem trazido para São Vicente muita gente de São Nicolau e Santo Antão a procura de uma “vida melhor”.

O presidente da câmara, Augusto Neves, frisou se tentou fazer um orçamento que conjugasse com 2020, um “ano especial”, de eleições e com seis meses de gestão corrente. “Então fizemos um orçamento contido, respeitando todas as forças políticas, respeitando a população, porque será um ano fundamentalmente de concretização de tudo aquilo que foi o projeto do mandato”, esclareceu.

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