Cabo Verde

Cabo Verde: Líder do PAICV acusa Governo de “gestão corrente” do setor da educação

Líder do PAICV, Janira Hopffer Almada

A líder do PAICV, Janira Hopffer Almada, acusou o Governo cabo-verdiano de fazer uma “gestão corrente” do setor da educação através de “medidas casuísticas” com efeitos negativos, principalmente no que diz respeito ao ensino secundário.

“Não obstante as conquistas alcançadas, regista-se um grande recuo nos últimos três anos, sobretudo no que tange ao planeamento do sistema de educação”, declarou aos jornalistas esta terça-feira, 09 de julho, no final de uma visita à Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde, na cidade da Praia.

A visita foi realizada no âmbito do conjunto de deslocações a instituições de ensino que o maior partido da oposição está a realizar, tendo como objetivo da preparação do debate sobre o Estado da Nação, que se realizará no final deste mês.

Para a dirigente, “o atual Governo tem feito uma gestão corrente do setor, um pouco entre o erro e a falha”. “Há muitas escolas sem professores e com colocação tardia de professores, temos muitos problemas com o material didático, especificamente manuais e erros crassos nos manuais”, acrescentou.

As críticas estenderam-se à criação de um agrupamento escolar que, na opinião da deputada, “ainda não provou qual o impacto positivo que tem na comunidade educativa em geral, nem nos professores, nem nos alunos, criando uma grande confusão nos encarregados de educação”.

“Temos situações relacionados com o sistema de avaliação que está regulado por diploma legal e tem sido sistematicamente alterado por este Governo, pelo Ministério da Educação, com despachos casuísticos, o que acaba por denotar alguma desorganização e falta de planificação”, sublinhou, referindo igualmente que o ensino secundário tem sido o mais afetado, pois é neste nível que se tem sentido “a falta de material pedagógico, didático por um lado, e por outro com erros crassos”.

“É no secundário que se detetou a falta de professores e a colocação tardia de professores, é no secundário que se registam problemas, no que tange à implementação do tal agrupamento escolar que foi criado, também é no secundário que se registaram os grandes problemas relativamente ao sistema de avaliação, o qual está a ser alterado, mediante despacho, sem se ter em conta o impacto que tem na vida dos alunos, dos professores e na vida dos próprios encarregados de educação, comprometendo seguramente o país”, partilhou.

“Não podemos continuar a fazer discursos de reformas, como este Governo tem feito no sistema de educação, que não são reforma alguma”, criticou também, considerando que “trata-se de medidas casuísticas, tomadas sem primeiro se auscultar a comunidade educativa e os atores de educação para se aferir dos riscos e por outro sem se fazer o balanço dos impactos para saber se resultou”.

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