Cabo Verde

Cabo Verde: MpD realça conquistas do Governo enquanto oposição fala de “grande deceção”

Parlamento de Cabo Verde

O início do debate sobre o Estado da Nação de Cabo Verde decorreu esta quarta-feira, 31 de julho, no Parlamento Nacional. A líder do PAICV, Janira Hopffer Almada, aproveitou a abertura do evento para dizer que o atual Governo tem revelado ser “uma grande deceção” para os cabo-verdianos.

Para a dirigente, o Executivo apoiado pelo MpD recorreu ao “marketing massivo”, produzindo “publicidades enganosas”, para dar a impressão de que está a fazer “coisas estruturantes”, quando, no seu entender, existem “medidas avultadas” e tomadas de forma “inconsistente”.

“Os cabo-verdianos pagam mais para viajarem, pagam mais para terem acesso à água, luz, energia e ao gás. Os cabo-verdianos sabem que pagam mais pelos bens alimentares da primeira necessidade. Os cabo-verdianos sabem que os seus salários não aumentaram e que perderam o poder de compra”, criticou, acrescentando que a inclusão social está a baixar, uma vez que no ano passado “cerca de 13 por cento (%) dos cabo-verdianos foram atingidos pela fome”.

Em resposta às declarações do maior partido da oposição, o líder da bancada parlamentar do MpD, Rui Figueiredo Soares, disse que o país está “muito melhor” do que em 2016, alistando ganhos em “todas as áreas do desenvolvimento”.

“Da economia às finanças, da educação à saúde, da cultura ao desporto, dos transportes aéreos aos marítimos, do turismo à segurança, todos os setores, sem exceção, vêm conhecendo uma evolução bastante positiva, graças às diversas reformas em curso”, frisou. Apesar de admitir que ainda “há muito por fazer”, sublinhou que estão “no caminho certo” com “políticas assertivas”.

Por sua vez, a UCID, da oposição, considera que estão a ser empreendidos “programas desarticulados”, tendo o presidente do partido, António Monteiro, acusado o Governo de empreender “programas descontínuos, estabelecidos a belo prazer e desarticulados estruturalmente do país real”, que “mais não traduzem do que aquilo que se vê e se sabe”.

“O estado da Nação é de um país à espera de um rumo firme, mas que neste momento desperdiça oportunidades, queima etapas, desbarata capacidades, devido a políticas com que se tema em fazer desenvolver este país”, denunciou, acusando o Executivo de “se desfazer de tudo o que é do Estado de forma pouco abonatória para o país”.

“Vende-se tudo a quem tanto quer e pouco paga, deixando aos contribuintes o ónus de pagar os avultados passivos das empresas”, lamentou, ajuntando que os governantes “não escutam as vozes que ecoam nas ruas” do país contra as assimetrias, disparidades e desigualdades “gritantes e abismais” no tocante ao desenvolvimento das demais regiões.

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