Cabo Verde: Oposição diz que país tem sido dirigido por “fóruns, diversões e regabofes” dos governantes

O porta-voz do Conselho Nacional (CN) do PAICV, Démis Lobo, afirmou este domingo, 14 de julho, que Cabo Verde tem sido governado nos últimos tempos por “fóruns, diversões e regabofes dos membros do Governo, ora no país, ora no estrangeiro”, considerando que tal afeta “a credibilidade e a dignidade do Estado de Cabo Verde”.
“O Governo tem tentado camuflar a sua incapacidade de resolver os reais problemas das populações com recurso à propaganda feita à custa do erário público e com o desdobramento dos membros do Governo pelas ilhas e concelhos do país e pela diáspora, limitando-se nestas oportunidades a constatar os velhos problemas e dificuldades e a anunciar novas promessas ou novos estudos e fazer conferências ou fóruns sem quaisquer consequências úteis para a vida das pessoas”, criticou.
As declarações foram feitas em conferência de imprensa, realizada na Praia para fazer o balanço dos dois dias da reunião do CN do maior partido da oposição. De acordo com o representante da formação política, os cabo-verdianos passam por uma “situação de tormenta” para obterem um visto para a Europa. O assunto mereceu a atenção dos conselheiros, que apelaram às autoridades competentes a analisarem a problemática para resolverem o “grande desconforto e prejuízos” causado às pessoas e sem “nenhum sinal de reciprocidade no tratamento”.
Quanto à situação económica, “pelo estado das coisas é já incontestável que o Governo falhará a meta de um crescimento médio anual de sete por cento”, referiu, acrescentando que o crescimento económico registado está “muito aquém” dos objetivos traçados pelo Executivo de Ulisses Correia, não tendo “tradução na melhoria das condições de vida das pessoas”.
Démis Lobo mencionou também a prometida criação dos 45 mil postos de trabalho, frisando que tal é uma “miragem” e que o Governo, em três anos, “destruiu aproximadamente 15 mil postos de trabalho”. “As promessas de um emprego digno têm se traduzido na massificação de estágios profissionais miseráveis e indignamente remunerados”, ajuntou, salientando que as privatizações e concessões estão a ser feitas de “forma atabalhoada, despidas de transparência e com exclusão, em muito casos, do empresariado nacional”.
O estado dos transportes aéreos e marítimos foi igualmente criticado, uma vez que o porta-voz do CN do PAICV disse que os mesmos “não servem os cabo-verdianos”, sendo “escandalosamente caros, considerando o poder de compra dos cabo-verdianos”, além de haver voos “insuficientes” e ilhas “cada vez mais isoladas, o que constitui um triste retrocesso”.





