Cabo Verde

Cabo Verde: PAICV acusa Governo de enganar o povo sobre os transportes marítimos

O PAICV  acusou novamente o Governo de estar a enganar os cabo-verdianos sobre os transportes marítimos inter-ilhas. Agora, além de criticar o processo de concessão dos mesmosfalou sobre o navio Chiquinho BL, que chegou no dia 28 de janeiro ao Porto Grande do Mindelo. 

O deputado João do Carmo, do maior partido da oposição, declarou no Parlamento nesta quinta-feira, 20 de fevereiro, que a embarcação foi adquirida pelo Grupo ETE e não pela Cabo Verde Interilhas. 

Com “todos os recursos que o Governo mete na Cabo Verde Interilhas e este, ao invés de adquirir um navio para Cabo Verde, o navio é comprado pelo grupo português, e este aluga à Cabo Verde Interilhas. Porquê enganar os cabo-verdianos durante todo este tempo?”, questionou. 

Construído na Coreia do Sul, o barco foi adquirido exclusivamente para as ligações entre as ilhas de São Vicente e Santo Antão, que representa cerca de 70% do tráfego no país. A data inicialmente prevista para a viagem inaugural era a 18 deste mês de fevereiro, mas a Cabo Verde Interilhas emitiu um comunicado no dia 15 a anunciar o adiamento, sem data definida, devido ao facto de ainda não estar concluído o processo de registo do barco. 

Em relação a este cancelamento, o PAICV considera que os inspetores recusam-se a certificar o navio. “Os cabo-verdianos precisam saber porque é que os inspetores se recusam a certificar o navio. Também a região autónoma da Madeira demora e recusa emitir registo definitivo do navio para fazer viagens nos mares de Cabo Verde. Os cabo-verdianos precisam saber porque é que apesar do navio ser novo, como diz o MpD, a idade do mesmo e o ano de fabrico não constam dos sites internacionais relevantes para este setor”defendeu. 

Por sua vez, o presidente da UCID, António Monteiro, disse que Chiquinho BL não está destinado ao transporte de carga em mar aberto. “É um navio que, à priori, não está destinado para transporte de cargas em mar aberto. Isso vai trazer problemas aos carregadores, acima de tudo, os que fazem o carregamento entre Porto Novo e Porto Grande. Nós entendemos que os cabo-verdianos estão a pagar muito dinheiro por este serviço que não está sendo bem feito”expôs. 

Em defesa, o deputado João Gomes, do MpD, formação política no poder, esclareceu que o navio ainda não começou a operar porque o processo de registo ainda não terminou. 

“O navio ainda não está a operar porque está no processo de embandeiramento. Eu quero ser esclarecido como é que o senhor deputado do PAICV sabe que os inspetores não quiseram inspecionar o navio. Há alguma declaração pública do serviço de inspeção de navios? Ou será que os inspetores estão ao serviço de alguém que não de Cabo Verde?”perguntou.

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