Cabo Verde

Cabo Verde: PAICV diz que situação dos transportes na Brava é de “humilhação para os passageiros”

© PAICV - Partido Africano da Independência de Cabo Verde

O deputado nacional Clóvis Silva, do PAICV, partilhou nesta quarta-feira, 23 de outubro, que aquilo que se está a passar com a ligação marítima para a ilha Brava representa uma “humilhação para os passageiros”.

Além desta declaração, feita em conferência de imprensa na cidade da Praia, o político eleito pela lista do PAICV na Brava afirmou que a situação atual representa a prova “mais clara” de que o Governo cabo-verdiano “não teve em conta”, ao conceder a exploração dos transportes marítimos à empresa CVInterilhas, que o serviço de transporte de passageiros e cargas para a ilha em questão é “de utilidade pública” e “não uma atividade comercial”.

“E o resultado está à vista”, salientou, acrescentando que os passageiros são tratados como “meros clientes” e que os bens de primeira necessidade são tratados como “meros produtos comerciais”. Por isso, denunciou, se a quantidade de carga que chega para ordem de embarque não se justificar, a mesma é deixada no cais.

Foi também mencionado que se a quantidade de crianças que irá viajar exceder determinado número, a agência “não vende mais a nenhuma criança um bilhete de passagem”, uma vez que estas pagam mais barato do que os adultos. “Há caso de um pai desesperado por viajar com o seu filho a ter que comprar uma passagem de adulto para a criança poder viajar”, contou, referindo ainda a recusa da companhia em receber a carga dos pequenos comerciantes, peixeiras e vendedores para o embarque no porto da Furna.

Clóvis Silva disse que andam a divulgar que são feitas mais viagens para a Brava, mas sublinhou que “há doentes evacuados e turistas a saírem em embarcações de pesca” enquanto o navio Sotavento está a atracar no porto da Furna. “À frente dos meus olhos. Eu estava lá! Turistas que chegaram à Brava com a certeza de que haveria transporte para não perderem os voos de ligação para a Brava, e foram defraudados. Grávidas a serem transportadas nestas mesmas condições”, contou.

Outras das várias queixas feitas está relacionada com o facto de haver, alegadamente, “mudanças constantes” e cancelamentos de viagens sem que os passageiros sejam informados, tendo alguns deles que comprar novo bilhete sem nunca terem recebido “o reembolso da sua passagem pelo cancelamento da viagem”.

Por tudo isto, ajuntou o deputado, o maior partido na oposição apela para que o Governo “rescinda imediatamente” o contrato com a CVInterilhas, porque esta “não está e nem nunca esteve em condições” de gerir o transporte marítimo no país. “Quem não tem condições de vir investir para depois ganhar, não precisa vir a este país para explorar a pobreza e a dificuldade da nossa população para obter lucro”, concluiu.

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