Cabo Verde

Cabo Verde: UCID pede “medida retroativa” para processo de compra de moradias do “Casa para Todos”

António Monteiro

O líder da UCID, António Monteiro, apelou nesta terça-feira, 03 de setembro, ao Governo para que aplique uma “medida retroativa” de redução de preços das moradias do programa “Casa para Todos”, cujos custos deverão ser assumidos pelo Executivo.

A posição do dirigente foi tomada em reação à recente declaração da ministra da Habitação, Eunice Silva, que afirmou que a subsidiação por parte do Governo poderá ser uma solução para baixar os preços e poder vender as cerca de duas mil casas das classes B e C do programa habitacional, financiado por Portugal, pelo preço de, pelo menos, dois milhões de escudos (cerca de 18.138 euros).

De acordo com o político, a UCID vê com “bons olhos” esta possibilidade, já que ainda há várias casas por vender num projeto cujo encargo financeiro é “extremamente grande” para a dimensão económica de Cabo Verde e que, ajuntou, toda a engenharia financeira que se vier a fazer para a resolução do problema, e dando a possibilidade ao cabo-verdiano de adquirir estas habitações, “é de se louvar”.

No entanto, a formação política questionou sobre quem vai assumir estes custos, uma vez que se fala de valores que rondam entre “os quatro e seis milhões de contos (entre cerca de 36.276 e 54.414 euros)”, e ainda havendo a possibilidade de o prejuízo chegar aos “11 milhões de contos (cerca de 99.759 euros)”, caso se alargue a quem adquiriu casas anteriormente.

“Caso o Governo tenha esta engenharia bem montada e consiga os recursos financeiros para fazer face a esta situação, esta será uma boa medida. De outro modo, será uma medida que não terá os efeitos necessários para a economia nacional”, concluiu António Monteiro, alertando para a possibilidade de se “agravar ainda mais” a dívida pública.

No entanto, caso a medida avance, defendeu que, por “razões de justiça social e para evitar que no futuro projetos semelhantes tenham dificuldades, porque as pessoas irão estar à espera do abaixamento do preço”, o Governo deve cobrir todas as casas, mesmo aquelas que foram vendidas há mais de dois anos.

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