Entrevista a Jassira Monteiro, Presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina em Cabo Verde. “A alma cabo-verdiana é a minha maior inspiração”

Mulher de Santa Catarina, filha de cabo-verdianos, e Presidente da Câmara Municipal na sua terra natal. Jassira Maria da Veiga Monteiro estudou na Universidade Autónoma de Lisboa, o curso de Tradutora e Intérprete, uma amante da sua terra natal e do seu país, com a vontade de contribuir, para um futuro mais digno e promissor para o povo cabo verdiano.

Uma mulher que encontrou a inspiração nas pessoas, especificamente nas mulheres, pela sua capacidade de desbravar caminhos, de superar dificuldades, “a alma cabo-verdiana é a minha maior inspiração”, diz Jassira. Cabo Verde só foi possível, enquanto país, precisamente por essa capacidade incrível de metamorfosear “pedras em pão”, de construir impossíveis, sempre com “um sorriso no rosto e com musicalidade”.

Defensora da liberdade, democracia, humanismo e direitos humanos, esteve em Portugal, como muitos cabo-verdianos, morou durante muitos anos, onde foi ativista social e técnica do, entretanto extinto, Alto Comissariado para as Migrações e Minorias Étnicas, ACIME. Quando voltou para Cabo Verde exerceu as funções de “Comercial Corporate” na empresa Unitel T+.

Em 2016, entrou no mundo da política com um convite para agregar a lista às eleições autárquicas pelo Ex-presidente Beto Alves. Conseguiu o lugar de vereadora da Cultura, Género e Comunicação e Imagem, vista por Jassira como uma jornada curta, mas enriquecedora.

Monteiro reconhece que o atual cargo que ocupa foi entregue dentro de uma “circunstância trágica e imprevisível”, por causa do falecimento do anterior presidente, Beto Alves. Uma circunstância que criou, de forma natural, desafios pela “novidade” de ser uma mulher a ocupar o cargo, o que foi e está sendo ultrapassado com a ajuda dos colegas vereadores, “é uma missão que cumpro com dedicado esforço e prazer, uma circunstância comum aos meus colegas homens que são presidentes de câmara”.

Durante a sua liderança como Presidente da Câmara Municipal, construiu uma forte agenda cultural, transversal a várias expressões artísticas, na música, no teatro, na literatura, nas artes plásticas. Com os grandes artistas e grandes autores que levou a cidade de Assomada (Concelho de Santa Catarina), ser reconhecido pelas pessoas voltadas pela cultura. Trouxe uma agenda de género, com iniciativas, como “Marcha das Mulheres pela Igualdade”.

Como uma Presidente “mulher”, quer apostar na equidade e igualdade de género. Fazer uma implementação de políticas sociais ativas de formação, criação de emprego e de pequenos negócios, principalmente para as mulheres chefes de família de Santa Catarina. Vê que para Cabo Verde, é importante enobrecer o papel da mulher na sociedade e persistir nesse combate contra a violência baseada no género, assim como, empoderar as mulheres, impedindo que sejam discriminadas ou prejudicadas por razão do género.

Jassira que outrora era estudante em Portugal, quer agora como Presidente governar com sentido de responsabilidade, com compromisso, com devoção e, sobretudo, gerir a coisa pública com rigor e transparência. Evidentemente, para isso é preciso ousadia e coragem, para dar saltos maiores e delinear políticas viáveis e sustentáveis, que vão ao encontro dos anseios das cabo-verdianas e dos cabo-verdianos. E quer ser reconhecida como alguém que fez o seu percurso com dignidade, com entrega ao próximo e movida pelo interesse maior de contribuir para dar um futuro digno às mulheres e aos homens santa-catarinenses, às cabo-verdianas e a todos os cabo-verdianos.

E aconselha aos que almejam prosseguir na vida política e não só, “qualquer que seja o percurso há valores a ter sempre presentes como seriedade, integridade, firmeza e sentido de entrega”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.




Artigos relacionados

MPLA, FRELIMO, ANC e SWAPO querem formação contínua dos militantes

MPLA, FRELIMO, ANC e SWAPO querem formação contínua dos militantes

Militantes e delegados dos partidos MPLA (Angola), FRELIMO (Moçambique), ANC (África do Sul) e SWAPO (Namíbia) terminam neste sábado, 26…
Moçambique: Autarquias locais mantêm dependência do OE

Moçambique: Autarquias locais mantêm dependência do OE

O presidente da Comissão de Administração Pública e Poder Local da Assembleia da República de Moçambique, Francisco Mucanheia, chefiou um…
Timor-Leste: Construção do Porto de Tíbar alcançou os 72% em 2021

Timor-Leste: Construção do Porto de Tíbar alcançou os 72% em 2021

O Ministério das Finanças de Timor-Leste informou, através de um documento, que a construção do Porto de Tíbar chegou a 72%…
Moçambique: Paralisação de fábricas de processamento de castanha de cajú empurra mais de 17 mil pessoas para o desemprego em Nampula

Moçambique: Paralisação de fábricas de processamento de castanha de cajú empurra mais de 17 mil pessoas para o desemprego em Nampula

Na província moçambicana de Nampula, 17.182 trabalhadores foram empurrados para o desemprego nos dois últimos anos na sequência da paralisação…
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin