“O maior medo das pessoas é o sustento das família e o rendimento dos agregados”, Lucas Leite Monteiro, Observatório da Cidadania de Cabo Verde

Lucas Leite Monteiro, Secretário da Direção do Observatório da Cidadania de Cabo Verde, em entrevista à E-Global refere que parte da população ainda resiste às medidas de confinamento, pois vive do setor informal e receia perder os rendimentos. Para minorar esses casos, o Provedor do Mindelo em estreita colaboração com o Observatório da Cidadania de Cabo Verde tentam responder através de ação concertada a todos os pedidos de ajuda que chegam. Lucas Leite Monteiro afirma que combater o novo coronavirus é um importantíssimo ato de cidadania a que todos devem responder.

 

Como considera que tem sido a atuação dos cabo-verdianos em relação às medidas de contingência social já tomadas?

Do nosso ponto de vista (falo como Secretário da Direção do Observatorio da Cidadania de Cabo Verde), a população tem colaborado em certa parte, visto que há alguns grupos etários e sociais que ainda resistem às medidas de Dever de Recolhimento impostas pelo Decreto Presidencial de 28 de março. Há apenas um restrito número de pessoas que estão autorizadas a estar na rua por trabalharem nos serviços essenciais do Estado. Mas a Polícia Nacional já começa a tomar medidas mais duras, que passam pela detenção e apresentação de indivíduos ao Tribunal, visto que alguns direitos Constitucionais, como o direito de livre circulação, foram suspensos.

O vírus em Cabo Verde ainda não aumentou de forma exponencial mas lojas, hotéis, escolas já se encontram encerradas. As pessoas já sentem que esta é uma situação que vai durar por muito tempo?

Sim. Por precaução foram tomadas medidas duras, por parte do Governo, para que se contivesse o contágio na população. Medidas, diga-se de passagem muito bem tomadas. Mas o maior medo das pessoas é o sustento da família e o rendimento dos agregados. Grande parte das famílias vive do sector informal e estando confinadas não têm como gerar renda.

Haverá apoios para as famílias mais desfavorecidas por parte das autarquias para que bens alimentícios e de primeira necessidade não escasseiem nas próximas semanas?

Sim, claro. Há uma campanha (várias digo) que a Autarquia está a levar a cabo para dar esse apoio. Nas plataformas PROVEDORDEMINDELO e OBSERVATORIO-CIDADANIA-ATIVA-CABO-VERDE temos estado a receber cerca de 30 a 50 pedidos de ajuda diários que, são imediatamente enviados à Ação Social da Câmara, à Delegacia de Saúde para triagem e apoio. A Articulação está a ser feita num grupo de coordenação criado para o efeito.

E que  campanhas estão a ser feitas para reduzir o risco de propagação do vírus especialmente entre as camadas de população mais vulneráveis, como os idosos?

Neste momento estão a decorrer muitas campanhas que estão a ser divulgadas na rádio e televisão, pricipalmente, mas no terreno as Entidades de Saúde têm estado sempre presentes, bem como a Proteção Civil de Cabo Verde, a INSP – Instituto Nacional de Saúde Pública, a DNS – Direção Nacional de Saúde, a Cruz Vermelha, o Exército, a Polícia Nacional têm estado no terreno a fazer sensibilização e desinfestação nos bairros.

Neste momento, há muitas pessoas que se sentem ansiosas e podem sentir-se mais fragilizadas. Essas pessoas podem entrar em contacto com alguém, sem pressionar a linha verde, fundamental para o atendimento a doentes que manifestem sintomas do novo coronavírus?

Desde a primeira hora, foi criada uma linha de apoio 800 11 12 (embora sobrecarregada) para dar apoio às pessoas. Há um conjunto de psicólogos que têm atendido casos de pessoas que revelam ansiedade, stress. Mas, a própria Associação de Psicólogos de Cabo Verde disponibilizou uma linha de atendimento às pessoas. e nós mesmos fizemos isso, nas plataformas acima indicadas, temos prestado esse tipo de apoio.

Tendo em conta que a diáspora cabo-verdiana é em grande número e que muitas famílias querem estar juntas neste momento, mas atendendo a que necessitam de um período de quarentena, já se estudou a hipótese de várias unidades hoteleiras poderem disponibilizar quartos para esses períodos de confinamento?

Isto está a ser feito desde o início para quem estava fora por motivo de férias ou em serviço e que regressam agora ao país. Nesses casos, estão a ser postos em  quarentena obrigatória.

 

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