Cabo Verde

OMS confirma que vírus zika em Cabo Verde é o mesmo da epidemia no Brasil

Segundo avança um comunicado de sexta-feira da Organização Mundial da Saúde (OMS), o vírus Zika que está a causar um surto no arquipélago de Cabo Verde desde 2015 pertence à estirpe asiática e é originário das Américas, onde decorre uma grande epidemia de Zika.

O Instituto Pasteur de Dakar, no Senegal, sequenciou o genoma do vírus que assola o arquipélago cabo-verdiano e comparou o seu ADN com outras amostras de vírus. O Zika, transmitido por mosquitos Aedes, é original de África, e foi isolado pela primeira vez em 1947. Passadas algumas décadas foi descoberto no Sudeste Asiático, e nos últimos anos atravessou os arquipélagos do oceano Pacífico até ter atingido a América do Sul, onde está a causar microcefalia nos recém-nascidos de uma percentagem de grávidas que infeta. Segundo a OMS, o vírus poderá atingir a Europa nos próximos anos, sendo esse risco considerado alto para a ilha da Madeira.

Os resultados do Instituto Pasteur mostraram que o vírus de Cabo Verde veio provavelmente do Brasil, onde o Zika poderá ter chegado logo em 2013, apesar de as primeiras amostras do vírus serem apenas de 2015. Em Cabo Verde, já foram recenseados 7557 casos suspeitos de Zika e três recém-nascidos com microcefalia associados à epidemia.

“A descoberta causa preocupação porque é mais uma prova de que o surto está a espalhar-se para lá da América do Sul e está às portas de África”, disse Matshidiso Moeti, diretor-regional da OMS para a África, citado num comunicado da mesma organização. “Esta informação vai ajudar os países africanos a reavaliar o seu nível de risco, a adaptarem-se e aumentarem os seus níveis de prevenção”. Para o responsável, os países africanos devem incentivar as campanhas de esclarecimento junto das mulheres grávidas e promover medidas de proteção para evitar as picadas de mosquito, bem como a contaminação por transmissão sexual.

Todavia, há algumas diferenças genéticas entre o vírus asiático, que está a atingir dezenas de países na América do Sul e Central, e o vírus original encontrado em África na década de 1940. Mas não se sabe se as estirpes atuais de África causam o mesmo tipo de sintomas e problemas que a estirpe asiática, incluindo a microcefalia.

O Zika manifesta-se através de pequenos, como febre, dores de cabeça e borbulhas. A OMS adverte ainda que os países devem aumentar a sua vigilância para evitarem a transmissão e malformações congénitas a partir das infeções do vírus zika, como a microcefalia e síndrome de Guillain-Barré, onde os nervos periféricos são atacados pelo sistema imunitário, deixando temporariamente as pessoas com dificuldades nos movimentos. Até agora, não foi registado nenhum caso de síndrome de Guillain-Barré.

Segundo a OMS, a agência e os seus parceiros “irão apoiar os países da região africana a intensificarem os esforços de preparação para o início de deteção, confirmação e gestão de potenciais complicações relacionadas com a infeção do vírus zika”.

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