Presença de Saab em Cabo Verde mantém em alta a tensão diplomática

Até ao seu falecimento em plena glória a 17 de dezembro de 2011, a mítica cantora Cesária Évora era o símbolo andante e descalço da Cabo Verde em todo o planeta. Ouvir a diva solidária com os despossuídos era um privilégio para qualquer alma sensível. 

Mas desde 12 de junho de 2020, em plena segunda onda da pandemia por Covid-19, Cabo Verde é famoso pela presença de um personagem singular vindo da América: o empresário colombiano-venezuelano Alex Saab, cuja extradição é solicitada pelo governo dos Estados Unidos, através do Escritório de Ativos Estrangeiros. 

Nessa medida, o governo de Nicolás Maduro implantou toda um bateria de políticas, legais, financeiras e até diplomáticas, para evitar a saída do cérebro financeiro dos chamados “negócios turvos” da revolução bolivariana. Para quem era um personagem que se mexia nas sombras, mas com fortes investimentos no plano alimentar do CLAP, parece desproporcional a feroz defesa que fez o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela, a ponto de nomeá-lo embaixador, outorgando-lhe a nacionalidade e pagando-lhe os caros serviços do famoso ex-juiz espanhol Baltazar Garzón. 

Segundo reporta o portal www.armandoinfo.com [1], a 12 de junho de 2020, às 20h09, Saab aterrou no seu avião particular no Aeroporto Amílcar Cabral, na Ilha do Sal, com escala técnica a caminho do Irão, quando foi detido por agentes da Interpol. 

A partir desse dia, o governo de Maduro moveu “céu e terra” para evitar a extradição de Saab para os Estados Unidos, energia e recursos que não colocou ao serviço, por exemplo, do Plano de Vacinação da população ou para mitigar a espantosa espiral hiperinflacionária que acabou com a economia dessa nação sul-americana. 

Hoje, como um rei, Saab não só desfruta das bondades de um spa turístico onde cumpre uma “prisão domiciliar”, enquanto o aparelho de propaganda do governo venezuelano tentou introduzir ao astuto e sombrio czar dos negócios turvos como um “lutador social” e nas principais capitais do mundo pode ler-se a frase #FreeAlexSaab. 

A estadia de Saab em Cabo Verde ameaça estender-se, depois do pedido do Comité dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas de que consta o estado de saúde do “perseguido” Saab, processo que poderia durar cerca de oito meses. 

Fernando Peñalver

21 Comments

  1. Alejandra Vazquez

    O que levou ao sequestro de um funcionario venezuelana. As informacoes que os Estados Unidos buscam no Diplomatico hoje estao longe de ser de corrupcao ou lavagem, sao informacoes sobre os planos de marketing que a Venezuela esta realizando para abastecer seu povo.

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