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São Tomé: Visita de Primeiro-ministro cabo-verdiano “superou as expetativas”

“Esta visita superou as minhas expetativas”, resumiu o primeiro-ministro de Cabo Verde, antes de deixar a capital santomense.

José Maria Neves esteve quatro dias em São Tomé e Príncipe, respondendo a um convite feito pelo seu homólogo Patrice Trovoada, que tinha visitado Cabo Verde recentemente.

Foi a última visita oficial do governante cabo-verdiano, em final de mandato, declarando que a escolha feita justificou-se plenamente.

São Tomé e Praia não assinaram desta feita qualquer acordo. Existem protocolos em vários domínios, desde 2008, nomeadamente da produção agrícola, trocas comerciais, educação e segurança social, que estão em diferentes estágios de implementação.

O protocolo mais atrasado relaciona-se com as trocas comerciais. O projeto de se constituir uma empresa privada com empresários dos dois países para garantir as ligações marítimas entre os dois arquipélagos, ainda não foi concluído.

Entretanto, os dois responsáveis, ao analisarem o estado da cooperação, congratularam-se pela “excelência destas relações e manifestaram a vontade do seu reforço e aprofundamento”, lê-se no comunicado oficial.

Para Patrice Trovoada, a visita do seu homólogo foi “de família”. “Houve tempos em que o caminho para São Tomé era um caminho longe, vindo de Cabo Verde. Foi um caminho difícil, de sofrimento, de lágrimas, de saudades e um caminho de esquecimento. Hoje o caminho que une São Tomé e Príncipe e Cabo Verde é um caminho de confiança, de esperança de solidariedade e é um caminho que temos estado a construir com a certeza de que as opções que estamos a fazer são opções certas e que conduzirão os nossos povos a um patamar invejável de desenvolvimento socioeconómico e cultural”, disse no banquete oferecido ao primeiro-ministro cabo-verdiano.

O chefe do governo santomense pretende que as relações entre São Tomé e Príncipe e Cabo Verde se tornem sólidas. “Temos muitas coisas em comum. Somos arquipélagos, pequenos, estamos localizados geoestrategicamente em lugares invejáveis, daí que essa comunhão de interesse, esse entendimento perfeito entre os nossos governos e Estados, só podem ser premissas para um desenvolvimento e um futuro invejáveis”, justificou.

José Maria Neves, que foi recebido com honras militares, sentiu-se “muito gratificado, por os governantes terem sabido honrar a história destas gentes. A melhor forma de homenagearmos as cabo-verdianas e os cabo-verdianos que vieram aqui trabalhar nas roças, a melhor forma de superarmos o sofrimento dessas pessoas, as lágrimas, as dores, é podermos trabalhar para que os dois países tenham um nível elevado de relacionamento e trabalhem conjuntamente para que as santomenses e os santomenses, as cabo-verdianas e os cabo-verdianos possam viver cada vez melhor, com mais dignidade, com melhores condições de vida, com mais bem-estar”.

«Sinto que partilhamos, efetivamente, hoje, os mesmos valores, os mesmos princípios, da democracia, da liberdade, da dignidade da pessoa humana, estamos a trabalhar juntos para consolidar o Estado de Direito Democrático nos nossos países e convergimos na construção de uma Visão de desenvolvimento que nos possa conduzir ao desenvolvimento durável ou sustentável no horizonte de 2030», acrescentou.

O chefe do governo cabo-verdiano entende ainda que é necessário “construirmos uma economia diversificada, inovadora, moderna, competitiva, capaz de gerar empregos e trabalho decente e criar dinâmicas de crescimento que possam efetivamente conduzir à melhoria da qualidade de vida, para mais bem-estar, para erradicação da pobreza, da fome, para uma agricultura mais durável, infraestruturas modernas, aproveitarmos as energias limpas e juntos fazermos face às mudanças climáticas, mitigando os seus impactos ou adaptando os nossos países às novas realidades”.

Esta visão comum de desenvolvimento entre os dois países assenta, sobretudo, nos setores do turismo, pescas, agricultura e formação profissional, precisaram Trovoada e Neves após o encontro oficial.

Por outro lado, os dois chefes de governo manifestaram a sua satisfação pela “identidade dos pontos de vista relativamente aos grandes temas da atualidade internacional, nomeadamente a necessidade de superação da crise económica e financeira internacional”, diz o comunicado oficial.

O primeiro-ministro cabo-verdiano foi recebido em audiência pelo Presidente da República, Manuel Pinto da Costa e pelo Presidente do Parlamento, José Diogo.

No seu intenso programa, José Maria Neves manteve encontros de cortesia com o presidente do governo regional, Tozé Cassandra e presidentes das câmaras distritais de São Tomé.

O chefe do governo não perdeu a oportunidade para falar com as comunidades cabo-verdianas no país, além de ter visitado alguns empreendimentos de carácter económico e sítios de interesse turístico.

José Maria Neves teve ainda tempo para animar uma palestra sobre a “Experiência da Democracia Cabo-verdiana”.

«As visitas recíprocas realizadas a ambos países concorrerão fortemente para o reforço das relações de amizade e de cooperação entre os dois países, em benefício dos dois povos», sublinha ainda o comunicado oficial.

O primeiro-ministro cabo-verdiano fez-se acompanhar da ministra das Comunidades, Fernanda Fernandes e empresários.

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