Guiné-Bissau

Contingente militar da ECOMIB deixa a Guiné-Bissau

O primeiro contingente da ECOMIB, força de interposição da CEDEAO, composto por 130 polícias do Togo deixou a Guiné-Bissau esta quinta-feira 27 de Agosto. Sem qualquer cerimónia oficial, a retirada da missão da CEDEAO foi o cumprimento de uma promessa feita por Sissoco Embaló no momento da sua investidura simbólica.

Sissoco Embaló prometera acantonar as forças da ECOMIB, tal como aconteceu dias depois. Esta quinta-feira iniciou a retirada que irá decorrer até 9 de Outubro, quando será encerrado o Quartel-general da ECOMIB.

A retirada em curso das forças da ECOMIB está a aumentar as críticas sobre a posição da CEDEAO na gestão da crise guineense, existindo vozes que consideram, como balanço, que a actuação nos últimos 8 anos da CEDEAO na Guiné-Bissau foi um fiasco.

Em 2012, depois do golpe de Estado que derrubou o regime do PAIGC e quando Carlos Gomes Jr. estava prestes a ganhar a segunda volta das eleições presidenciais, os Estados membros da CEDEAO decidiram colocar no país uma força militarizada para garantir a segurança das instituições e de algumas personalidades políticas.

A promessa de Sissoco Embaló

Durante a polémica gerada após as eleições presidenciais de 2019, Umaro Sissoco Embaló garantiu publicamente que a ECOMIB seria sairia do país, alegado que a Guiné-Bissau passara a viver num clima de normalidade.

Para Sissoco Embaló em outros países da CEDEAO que precisam das forças da CEDEAO, tais como a Guinée Conacri e a Costa do Marfim, mas não a Guiné-Bissau, na óptica do Presidente da República.

A decisão tomada pelo Presidente, Umaro Sissoco Embaló tem gerado alguns debates. Analistas consideram que o país vive ainda num clima de insegurança e a saída da ECOMIB é precipitada. As mesmas vozes apontam como exemplos de insegurança a situação dos juízes Conselheiros e de algumas lideranças políticas que foram “obrigadas” a deixar o país por supostamente “temerem pela vida”.

Críticas e vozes favoráveis

A missão da ECOMIB foi fortemente criticada por alguns círculos políticos, quando aceitou que ordens de Umaro Sissoco Embaló prevalecessem sobre às instituições judiciais. O caso da investidura de Sissoco Embaló, antes do pronunciamento final sobre o contencioso eleitoral pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ), acabou por ser a última gota de agua em relação à utilidade da força da CEDEAO na Guiné-Bissau.

O analista político guineense Rui Landim acusa a CEDEAO de ter participado no que qualifica de “golpe de Estado” dado por Umaro Sissoco Embaló. Landim sustenta as suas criticas com base na postura da ECOMIB quando permitiu pela inércia que as instituições da republica “fossem assaltadas”, tal como aconteceu no STJ e no Palácio do Governo.

Luís Landim, outro analista político guineense que igualmente concorda com a retirada das forças da CEDEAO, considera que a permanência da ECOMIB no tornou-se em “propaganda negativa” para o país. Luís Landim já afirmara que, enquanto as forças da CEDEAO permanecessem na Guiné-Bissau, nenhum investidor iria pôr o seu dinheiro no país.

Há dois meses, quando foi colocada a questão sobre a retirada da ECOMIB, Sissoco Embaló disse que estes iriam sair assim que a pandemia da Covid-19 estivesse controlada. No entanto, subitamente alguns militares começaram já a retirar. Ontem no voo da ASKY, 130 partiram do país, mas os que permanecem são ainda mais numerosos, não obstante já terem data marcada para partirem.

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