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Entrevistas da Lusofonia: “Maratona de Amor”. Cinco anos de viagem pelo Universo Musical da “guineendade”

O músico guineense Patche Di Rima lançou a 2 de Fevereiro de 2019 o seu 3.º álbum “Maratona de Amor”, um trabalho diferente que levou cinco anos a ser feito, que é um manifesto pela “guineendade” e um hino a África. Este tema cruza várias influências e ritmos como o gumbé ou o afro beat. Além de várias línguas tradicionais guineenses como o crioulo, o mandinga e o sussu.

De convicções fortes, Patche é hoje muito mais do que um cantor, é também um ativista que se sente privilegiado por ter tido a oportunidade de falarem Nova Iorque na sede das Nações Unidas (ONU), sobre a importância da música para a paz!

 

Patche, como é que surgiu este trabalho com vários ritmos e línguas diferentes?

O álbum “Maratona de Amor” tem um cariz científico, académico, antropológico e cultural muito importante. Quis transmitir com estes temas uma nova imagem de África, principalmente da Guiné-Bissau, que o mundo não conhece. Desde 2014 até à data presente procurei encontrar um estilo próprio e para isso fiz uma pesquisa ampla e vasta dos vários estilos musicais da Guiné trazendo-os para um contexto mais moderno. Acima de tudo este é um trabalho que celebra “a guineendade”.

 

Em que é que este projeto difere dos outros feitos até aqui?

Este álbum é diferente de todos os outros devido ao fator tempo. Foram cinco anos intensos. É um álbum de viagem em que desafiei os meus amigos para a composição destes temas. Abordei questões sociais importantes durante este trajeto e tive o enorme privilégio de compor o hino para a paz da Guiné-Bissau através do fundo das Nações Unidas em Nova Iorque. Isso também me deu uma responsabilidade maior, pois tive a oportunidade de falar sobre o papel e importância da música na consciencialização da paz.

 

Este álbum também foi feito a pensar na diáspora guineense? É de algum modo um tributo para aqueles que estão fora do país?

Não, para mim, este álbum está focalizado na diáspora africana. É uma mensagem para que todos os africanos pensem nos seus países de origem, que procurem regressar e contribuir para o crescimento e desenvolvimento do continente africano. Compus este álbum a pensar em todos os meus irmãos africanos, não só nos guineenses.

 

Alguma vez imaginou que seria um artista de sucesso. Era isto que ambicionava desde pequeno?

Sou muito, muito, muito positivo! Sinto que tenho uma força enorme dentro de mim. Eu nunca sonhei ser cantor, a música chegou até mim como uma missão e eu segui esse repto com responsabilidade, rigor e criatividade. Mas quando eu entrei neste mundo já tinha as minhas metas e os meus objetivos definidos, entretanto fui colhendo os frutos do meu trabalho. Agora, só tenho de agradecer a Deus e continuar.

 

O facto de ser artista incute-lhe responsabilidades acrescidas? O Patche escolheu viver e trabalhar na Guiné, há atualmente condições e oportunidades aí para um artista crescer?

O meu lugar é a Guiné-Bissau, o meu espaço é na Guiné-Bissau! Eu quero fazer parte da reconstrução de mentalidades e contribuir para o desenvolvimento sustentável da Guiné. É neste país de homens e mulheres valentes que eu acredito! Também considero que cada cidadão guineense tem a responsabilidade de acrescentar mais ao seu país, de fazer melhor e criar mais oportunidades.

 

Neste momento quais são os novos projetos em vista?

Agora a aposta é no sentido de promover o álbum “Maratona de Amor”. Recentemente assinei um contrato com uma editora norte-americana, que descobriu o meu trabalho através da música nº 3, que recebeu uma crítica muito positiva! Entretanto vou focar-me também nas digressões; no próximo dia 17 estarei em Lisboa, dia 18 a 21 de Agosto estarei em Marrocos, dia 5 de Outubro estarei em Genebra, 10 em Manchester… Uma agenda muito, muito cheia

 

Patche, que conselhos pode dar a um jovem que queira singrar no mundo da música?

Em primeiro lugar, alguém que pense em tornar-se artista tem de estudar muito! Um músico criativo, humilde e original vai longe. Mas, se não estudas não podes ter um conhecimento árduo e há milhares de cantores sem bagagem cultural que não conseguem transmitir uma mensagem forte. Cantar toda a gente canta, tem de se ter mais qual quer coisa! Há muitos passos a dar e a música aprende-se todos os dias.

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