Guiné-Bissau: Aliança entre o PRS e APU será a primeira tarefa de Florentino Mendes Pereira

O ex-Secretário-geral do Partido da Renovação Social (PRS), Florentino Mendes Pereira, foi escolhido pela Comissão Política do partido como candidato a primeiro-ministro nas eleições legislativas de 2022.

No acto de votação, que teve lugar a 31 de Agosto, Florentino Mendes Pereira obteve 193 votos contra 30 de Dionísio Cabi, ex-Presidente do Tribunal de Contas e 11 de Faustino Fudut Imbali, ex-primeiro-ministro da Guiné-Bissau.

A escolha de Florentino Mendes Pereira, que aconteceu depois da renúncia de Alberto Nambeia, está a ser encarada por algumas correntes do PRS como uma oportunidade de recuperação política do partido. Essa escolha é a concretização de um desejo de há muitos anos do ex-SG que, em 2019 quase abandonou o partido pelo facto deste preceito estatutário não ter sido respeitado.

Bastante desgastada com uma liderança muito contestada na parte final, a actual direcção do PRS enfrenta o dilema de sobreviver politicamente à presente conjuntura, mas também de recuperar o eleitorado, depois de, nas legislativas de 2019, ver as suas bases serem absorvidas pelo MADEM e APU. Nas próximas eleições, a situação será ainda mais controversa, tendo em conta a nova formação política com Partido dos Trabalhadores da Guiné (PTG) do actual ministro do Interior, Botche Candé cujas bases estão nas zonas em que o PRS já foi “primou”.

No discurso de consagração, Florentino Mendes Pereira apelou à união entre os militantes do PRS, como a única forma do partido voltar a merecer a confiança dos guineenses, e risse estar ciente das dificuldades que esperam ao partido.

A direcção em exercício liderada por Fernando Dias manifestou o seu total apoio ao ex-Secretário-geral, que foi decisivo nesta conquista. Fernando Dias, presidente em exercício defendeu na abertura dos trabalhos a necessidade dos militantes dos PRS se unirem. “O nosso desafio é a recuperação da nossa mística; o nosso desafio é a união dos militantes; o nosso desafio é a vitória eleitoral. Se conseguirmos tudo isso, vamos atingir os objectivos do PRS que são lutar para o poder para promover o bem-estar aos guineenses”.

A chamada de Florentino Mendes Pereira pela direcção para assumir o cargo foi uma surpresa, porque há seis meses viveu um ambiente de conflituosidade com os mesmos, por discordar com a forma como Alberto Nambeia conduzia o partido.

O primeiro grande desafio de Florentino Mendes Pereira, antes da organização das estratégias de campanha, será a preparação do Acordo com Nuno Nabian. Fontes no PRS garantiram ao e-Global que está na agenda a curto prazo a possibilidade de uma coligação eleitoral entre o PRS e APU-PDGB. O Acordo prevê a cedência de lugares em cada círculo em que uma ou outra formação política é mais dominante.

A chamada de Nuno Nabian para se juntar ao PRS não é inocente, uma vez que os dois partidos partilham as mesmas bases “na componente étnica” e o PRS entendeu que, juntando será mais fácil atingir os resultados em termos de eleição de deputado.

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