Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Alto Comissariado da Covid-19 preocupado com os comícios do Presidente

Umaro Sissoco Embaló
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As recentes deslocações do Presidente da República (PR) ao leste do país, onde realizou dois comícios em agradecimento ao eleitorado de duas regiões, foram duramente criticadas pelo Alto Comissariado da Covid-19.

Em nota de imprensa, assinada pela Alta Comissária para a luta contra a Covid-19, Magda Robalo, o descontentamento com foi sublinhado levando o presidente Umaro Sissoco Embaló a reagir e apresentar um pedido de desculpas público, em que alegou que não esperava total afluência da população. O Alto Comissariado estampa no documento que, este tipo de actos põem em causa a saúde pública e ameaçam inverter os resultados obtidos na luta contra a pandemia da Covid-19.

As desculpas do Chefe de Estado não convenceram os críticos, que destacaram que Sissoco Embaló alegara que a sua intenção inicial foi manter um encontro com as autoridades locais para apresentar agradecimentos à população pela confiança depositada através do voto que lhe deu vitória eleitoral.

Os críticos insistem que os agradecimento presidencial à população de duas regiões não podia ser feito junto dos Governadores e Administradores, tendo em conta que, nem todos pertencem a mesma formação política que o Presidente eleito.

A recepção de Umaro Sissoco Embaló, para além de “muito bem organizada” para ter “muita afluência dos populares”, foi encarada por Botche Candé, como o momento de desafio em termos de maior número de aglomeração.

Em pleno comício popular que concentrou milhares de apoiantes em Gabú, Botche Candé prometeu que a afluência em Bafatá ainda seria maior, porque foi nessa região em que mais votaram em Umaro Sissoco Embaló na segunda volta das presidenciais. Consequentemente em Bafatá, Botche Candé desafiou a população a demonstrar que era mais numerosa que a de Gabú, mantendo braços no ar e quem pudesse que tirasse a camisa que envergava, até o Presidente da República iniciar a sua intervenção.

“Bafatá e Gabú foram as regiões que mais votos deram ao Presidente da República. Em Gabú ele conseguiu um pouco mais de 48 mil votos; em Bafatá ficou acima dos 51 mil votos. Portanto, devemos provar aqui com braços no ar de que nós fomos os maiores votantes de Umaro Sissoco Embaló”, desafiou Botche Candé perante o delírio total dos presentes.

A atitude de Umaro Sissoco foi igualmente notada. Tanto em Bafatá como em Gabú, Umaro Sissoco Embaló pretendeu destacar a sua presença com entradas triunfantes. Num todo-o- terreno panorâmico e descapotável, o PR vibrava efusivamente com os seus apoiantes ao som da música “Mufunessa larga Guiné”, entoado há mais de 30 anos, por um dos maiores guitarristas nacionais, Fernando Fafé, mas que se tornou célebre nas duas últimas campanhas eleitorais devido ao Mix do jovem Djidjy di Malaika.

Ao som de”Mufunessa larga Guiné” e outras musicas compostas para a sua campanha eleitoral de há um ano, no interior do todo-o-terreno panorâmico, Sissoco Embaló fazia sinais de vitória e dançava.

Em Gabú por exemplo, antes do comício, com uma multidão sempre a correr atrás do Chefe de Estado, foi recebido por mais de 200 pessoas em motorizadas, tendo Umaro Sissoco visitado o hospital local onde eram visíveis pessoas sem qualquer protecção recomendada pelas autoridades sanitárias.

A questão das máscaras só preocupou o Chefe de Estado na recta final da sua intervenção em Bafatá, onde a afluência no comício muito significativa, quando disse aos presentes que deviam usar máscaras para proteger e que não teria estado presente se soubesse que não iriam usar.

A Alta Comissária da Luta contra a Covid-19, Magda Robalo, no seu comunicado sublinhou que, estes eventos, fazendo alusão aos comícios de Umaro Sissoco Embaló, estiveram em contra-senso com as recomendações do decreto-lei do Governo, promulgado pelo próprio Presidente da República, que instituiu o estado de calamidade em virtude da pandemia de Covid-19.

Magda Robalo pediu também a não interferência política nas decisões técnicas e estratégicas do controlo da pandemia e apelou a uma comunhão de esforços de todos os sectores, incluindo o Estado, as Comunidades, a sociedade civil, o sector privado e os parceiros de desenvolvimento.

Segundo o Alto Comissariado para a Covid-19, os comícios foram realizados numa ocasião em que está em curso a segunda vaga da pandemia na Europa e possivelmente também em África. “Este tipo de acontecimentos põem em causa a saúde pública e ameaçam reverter os ganhos conseguidos até agora na luta contra a pandemia”, frisou.

Alta Comissária criticou ainda os comportamentos das pessoas participaram nos dois eventos realizados no leste do país, violando as recomendações das autoridades sanitárias da Guiné-Bissau.

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