Guiné-Bissau: As exigências do PRS para uma reconciliação com o Presidente da República

Umaro Sissoco Embaló

A possibilidade do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) estabelecer uma aliança com o Partido da Renovação Social (PRS) está a provocar agitação nos corredores políticos próximos do Presidente da República.

Umaro Sissoco Embaló terá manifestado a vontade de reatar relações com os Renovadores, mas as exigências do PRS são de difícil cumprimento para o Presidente da República, uma vez que afectam os seus aliados.

Segundo apurou a e-Global, o PRS já apresentou ao Chefe de Estado as suas condições, mas o primeiro pedido feito por Umaro Sissoco Embaló é que o assunto permanece em circuito fechado. O PRS concorda em manter o segredo, mas as exigências mantém-se igualmente intactas.

O PRS tem um pacote de exigências de 5 pontos. O primeiro ponto dos Renovadores é uma remodelação governamental. Este, que foi um dos pontos de divergência entre o PR e o Partido dos Renovadores, contém outras exigências entre as quais que no novo Governo nenhuma liderança política deve fazer parte. Ou seja, o Presidente terá de abdicar de Nuno Nabian como Primeiro-ministro e não ter um líder político, tal como acontece no presente. Este ponto mais complexo e difícil de cumprir, porque seria obrigar o PR a abdicar de Nuno Nabian, Botche Candé, Fernando Mendes, Abás Djaló entre outros líderes políticos que integram o Governo.

A segunda exigência do PRS está ligada ao caso 1 de Fevereiro. Segundo fontes, o PRS exigiu ao PR a libertação imediata e incondicional de todos presos do caso 1 de Fevereiro. A possibilidade do PR cumprir em cumprir esta exigência é igualmente difícil, uma vez que, há vontade em julgar os suspeitos da tentativa de golpe de Estado. A determinação do julgamento é igualmente manifestada por uma das “facções” da classe castrense.

A terceira condição imposta pelo PRS incide na Comissão Nacional de Eleições (CNE). Depois da polémica saída de José Pedro Sambú, Mpabi Cabi assumiu as funções interinamente, mas invocando a Lei Orgânica da Comissão Nacional das Eleições, associado as competências da ANP, o PRS reclama um novo presidente saído do consenso entre os partidos. A possibilidade de Bacari Biai ser nomeado para o exercício das funções é oposta pelo PRS e o partido não aceita que este nome entre nas negociações.

Sobre este ponto, a posição de Umaro Sissoco Embaló é clara. Depois do presidente da ANP não ter conseguido o consenso em várias reuniões que fez com os partidos políticos, o PR decidiu que a situação deveria manter tal como está. O PAIGC, por ser contra a decisão, já avançou com uma queixa contra o presidente da ANP, acusando este de recusar a convocação da Comissão Permanente. Sobre a matéria, a posição do PRS é clara: é preciso e deve ser nomeado um novo presidente da CNE.

O PRS foi aliado do Presidente, bem como do Governo onde mantém 10 dos seus dirigentes, mas todos nomeados contra as orientações da direcção do partido. O actual poder é acusado de violação dos direitos humanos, perseguições a líderes políticos e jornalistas, espancamentos de activistas. No pacote das exigências, como base para a reconciliação nacional, o PRS exige o fim das perseguições e violências.

Todas estas questões foram colocadas ao Chefe de Estado e seus emissários na possibilidade de uma reconciliação, mas a demissão do Governo e a libertação dos presos está a ser “uma pedra no sapato” do Chefe de Estado.

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  1. Samuel Dinis Manuel

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