Guiné-Bissau: Autoridades permanecem em silêncio após líder do PAIGC ser impedido de viajar

Quatro meses depois de regressar ao país, Domingos Simões Pereira está impedido de sair. A ordem não é judicial e nem tem cara, mas foi aplicada. Domingos Simões Pereira refere a ilegalidade e cobardia da medida e sublinha que jamais perderá a sua liberdade.

Esta sexta-feira 23 de Julho, Domingos Simões Pereira deveria deslocar-se a Portugal com vista a acompanhar a esposa em tratamento médico, mas viu a viagem ser gorada, por supostas “ordens superiores”. No entanto a sua esposa pôde viajar para Lisboa.

A decisão inicial foi comunicada ao Protocolo do presidente do PAIGC na hora do check-in por uma funcionária dos Serviços de Emigração e Fronteiras da Guiné-Bissau. Horas depois, o próprio presidente do PAIGC deslocou-se ao Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, acompanhado pelo seu advogado, para, sem sucesso, conhecer os motivos da interdição. Na ocasião, Simões Pereira denuncia um “regime arbitrário, ditatorial e amador”.

Depois de percorrer quase todo o perímetro do Aeroporto em busca de quem supostamente terá dado ordem ou que pudesse apresentar um documento que embarga a viagem, o Presidente do PAIGC, partido mais votado nas legislativas de 2019 e candidato derrotado na segunda volta das presidenciais do mesmo ano, viu goradas todas as tentativas.

Falando à imprensa, Domingos Simões Pereira considerou tratar-se de um acto cobarde impedir a sua viagem, mas que jamais irá concretizar, porque ele mesmo não vai permitir. Para o líder do PAIGC, o mais grave não foi impedir a sua viagem sem fundamento, mas o facto de os mandantes estar a obrigar pessoas a cumprirem ordens ilegais.

Segundo Simões Pereira, quem deu as ordens de impedimento da viagem, pelo menos devia estar no seu posto de serviço, para assim fundamentar a sua posição. “Quero aqui à frente do departamento de migração denunciar esta situação grosseira de restrição das liberdades fundamentais de um cidadão”, disse Domingos Simões Pereira perante os microfones dos jornalistas que constataram o local do departamento totalmente vazio.

Na mesma ocasião defendeu que é absolutamente ilegal a cobardia das pessoas que o fazem, porque não tiveram a coragem necessária para o enfrentar e dizer que estão a restringir a sua liberdade porque têm força para o fazer. “Mas são tão cobardes, que ficam nos seus espaços fingindo que estão ocupados com os seus dossiês tão importantes, dão ordens que não têm qualquer fundamentação legal e jurídica e o departamento da migração comunica que são ordens superiores que me impedem de viajar”, disse. Apesar da polémica e ruído mediático gerado pelo impedimento de Simões Pereira viajar para Portugal, as autoridades nacionais remeteram-se a um silêncio absoluto.

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