Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Autoridades sanitárias em choque com a imprensa e negam qualquer caso de Coronavírus no país

As autoridades sanitárias da Guiné-Bissau estão “estupefactas” com alguns órgãos de comunicação social nacional, devido à informação veiculada esta segunda-feira 23 de Março, e na manhã de hoje, que dava conta do registo de cinco casos suspeitos de Coronavírus no país. O Governo, através do Ministério da Saúde, garantiu que no país ainda não foi registado qualquer caso.

A informação que gerou a controvérsia foi veiculada ontem pela imprensa nacional citando como fonte, em dois momentos, o Director-Geral de Saúde, Salomão Crima. O primeiro momento foi na abertura de um Seminário de Capacitação dos técnicos de saúde sobre o Coronavírus quando o Director-Geral reconheceu a existência de dois casos suspeitos. Mais tarde, no programa Repórter África da RTP confirmou a existência dos casos suspeitos, mas assinalou desta vez cinco casos.

No entanto, no programa informativo nocturno da Televisão da Guiné-Bissau, Salomão Crima ao longo de mais de 20 minutos a falar da epidemia, em nenhum momento admitiu a existência de casos registados na Guiné-Bissau.

Na manhã desta terça-feira 24 de Março, o ministro da Saúde António Deuna, aproveitou o momento da oferta de materiais de prevenção oferecidos pela Associação da Diáspora e Amigos de Mauritânia (ADAM) para criticar o comportamento da imprensa nacional, acusando-a de divulgar falsas informações.

Para além de garantir que na Guiné-Bissau ainda não foi registado qualquer caso de infecção, o ministro António Deuna exigiu que a imprensa considere o Ministério da Saúde como a única fonte oficial de informação. “É assim que se faz em situações de emergência”, frisou António Deuna.

Antes do ministro, foi a Secretária de Estado da Gestão Hospitalar, Cornélia Man, que atacou a imprensa nacional advertindo os jornalistas que, antes de tornarem publicas as suas informações, que deveriam confirmar as notícias. A vigorosa chamada de atenção da ministra provocou uma troca de comentários entre as partes, com os jornalistas presentes a insistirem que na origem da informação está um responsável do Ministério da Saúde, neste caso o Director dos Cuidados Primários da Saúde.

Entretanto, para além deste mal-estar, tal como qualificaram as autoridades do país, a 23 de Março circularam informações em como o país registou entre dois e cinco casos suspeitos. Tendo sido admitido que entre os supostos contaminados de Covid-19, estavam dois cidadãos estrangeiros, precisamente um indiano e um congolês (RDC), recentemente chegados ao país. A referência a cinco casos, baseou-se em que uma das supostas vítimas estivera em Ziguinchor (Senegal) e teria recebido a visita de familiares provenientes de Bissau.

Fronteiras encerradas apenas esta terça-feira

Entretanto as medidas de prevenção contra o Coronavírus na Guiné-Bissau estão a ser tomadas sequencialmente pelo Governo. As medidas começaram com anúncio do encerramento das fronteiras, há quase uma semana, mas também com a imposição de restrições nas concentrações de pessoas, cerimónias, locais de cultos e actividades recreativas. Ontem as medidas foram alargadas aos transportes públicos mistos e urbanos. Todos foram reduzidos a 60% das suas capacidades.

As ordens do governo para serem encerras as fronteiras não foram respeitadas, e foram constatados casos de subornos em que transeuntes das fronteiras pagavam à guarda local para poder passar.

Esta segunda-feira, num acto promovido pela Direcção-Geral da Viação e Transportes Terrestres na presença de proprietários de viaturas, o Governo determinou a observância de novas regras a partir desta terça-feira, em que, entre várias medidas, foi limitado o número de passageiros nos transportes públicos.

O anúncio provocou consternação de alguns proprietários que pretendem saber quem irá suportar os prejuízos de prosseguirem a actividade com lotação reduzida nos transportes, ou se optarem por parar os seus veículos até ao fim da pandemia.

Apesar dos protestos, na manhã de hoje já era sentida uma redução significativa do fluxo de transportes e veículos nas ruas, um fluxo que pode ainda vir a ser mais reduzido com a possibilidade de a Guiné-Bissau adoptar as mesmas medidas do Governo senegalês, após o Presidente Macky Sall ter anunciado a 23 de Março a imposição do recolher obrigatório das 20:00 às 06:00 horas.

O Governo guineense está a enfrentar muitas dificuldades para que sejam respeitadas as suas medidas. Por exemplo, a decisão de proibir a venda nas ruas não está a ser rigorosamente observada. O mesmo acontece na fronteira com o Senegal, país que já conta com 86 casos confirmados. Umaro Sissoco Embaló anunciou o fecho da fronteira há cinco dias, mas testemunhos da população fronteiriça dão conta que o trânsito de pessoas prossegue de forma habitual, e apenas circulação de veículos tem sido impedida na fronteira.

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