Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Botche Candé regressa para solidificar estrutura de poder de Sissoko Embaló

Quando meio mundo ainda discute se a Guiné-Bissau vive, ou não, um Golpe de Estado, o regresso de Botche Candé ao Ministério do Interior prova que Umaro Sissoko Embaló não deixa concentrar todas as decisões do sector da segurança em elementos fiéis ao Primeiro Ministro Nuno Na Biam. Desconfiança? Precaução? Provavelmente ambos.

Botche Candé nunca foi visto como um elemento próximo de Embaló, nem sequer de Na Biam. Sempre foi visto como o mais fiel aliado do ex-Presidente da República, José Mário Vaz, a quem garantiu a segurança enquanto Ministro do Interior durante grande parte dos quase seis anos de mandato presidencial.

Curiosamente, a demissão de Embaló como Primeiro Ministro terá acontecido depois de um conflito com o mesmo Botche Candé. Em Janeiro de 2018, o então Ministro do Interior Botche Candé ordenou a invasão do SIE, os serviços de segurança da Guiné-Bissau, por razões nunca completamente esclarecidas, e contra as indicações do então Primeiro Ministro Embaló. Poucos dias depois, Embaló apresentou a demissão, aceite por José Mário Vaz, o qual nomeou de seguida o seu primo Alfredo Vaz para liderar o SIE em substituição do então Director Geral Amado Djaló, da mesma etnia de Embaló.

A reaproximação entre Botche Candé e Embaló acontece agora exactamente pela mão do ex-Presidente José Mário Vaz. Terá sido este a fazer ver a Embaló dos benefícios de não concentrar todo o sector de segurança e defesa nas mãos de uma mesma pessoa, no caso Nuno Na Biam. Segundo fontes que acompanharam o processo, não estará em causa nenhuma desconfiança de Embaló ou Vaz quanto ao comportamento do Primeiro Ministro Na Biam, o favorito dos militares, mas meramente uma questão de equilíbrio. “Botché tem capacidade de dotar as forças segurança de maior capacidade operacional. Conhece todos os comandantes e não se deixará nunca influenciar por pressões externas!”, referem elementos ligados à estrutura do ministério que pediram anonimato.

A eficácia dos militares na noite de 28 de fevereiro e nos dias seguintes a garantir a segurança das instalações terá de tal forma impressionado Embaló que o próprio terá brincado com elementos próximos questionando se os militares já lhes estavam a dar o Golpe a ele. Brincadeira à parte, Embaló faz questão de assinar os decretos presidenciais como Chefe Supremo das Forças Armadas, exactamente para marcar que no papel é ele quem manda.

Embaló pretende com Botché garantir a experiência necessária para desenvolver as forças de segurança à imagem presidencial, para enfrentar os problemas políticos de futuro. Os dois, em conjunto com Nuno Na Biam, o novo Primeiro Ministro, que será o número três nesta hierarquia de poder, pretendem liderar os destinos do país nos próximos anos e reconfigurar todo o xadrez político guineense.

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