SONY DSC

Guiné-Bissau: Botche Candé tenta salvar o lugar expulsando polícias agressores de Bafatá

A decisão do ministro do Estado do Interior e da Ordem Pública, Botche Candé, de expulsar da corporação Policial os agentes que humilharam a 5 de Julho os manifestantes que protestavam contra a falta de energia eléctrica em Bafatá forçando-os a nadar em charcos com água estagnada, parece não constituir uma solução para a gravidade do problema.

Os pedidos de demissão de Botche Candé, da função de ministro do Interior, e do seu Comissário Provincial mantém-se e agora há quem exige do Presidente da República um posicionamento sobre o assunto. Existem ainda vozes que consideram que pode ser posta em causa a decisão do ministro, por não observar procedimentos jurídico-legais.

Para além de um número significativo de organizações condenar o comportamento dos agentes no episódio de Bafatá, há quem discorde com tomada de decisão de expulsar os agentes da polícia implicados, devido a que o ministro do Interior não pode avançar com essa medida sem ter instaurado previamente processos disciplinares aos implicados.

Um dia depois das degradantes cenas ocorridas na cidade de Bafatá, a 149 km de Bissau, o Ministério do Interior através do despacho assinado pelo seu titular, fez questão de informar que os três agentes, supostamente autores dos actos, ainda não estavam integrados na Polícia como elementos efectivos, sendo meros auxiliares, foram expulsos da corporação.

A decisão do ministro é a reacção a críticas de diferentes organizações da sociedade civil nas redes sociais e nos órgãos de comunicação social, das quais se destaca a do Conselho Nacional de Juventude, cujo seu Secretário Regional, foi uma das vítimas das agressões. A organização ponderou em manifestar nas ruas, mas de imediato os detidos foram libertos.

No entanto, a medida adoptada por Botche Candé não foi suficiente para acalmar os ânimos, e os seus críticos continuam a insistir com a demissão do ministro, que pernoitara na região e do Comissário Local da POP, que foi citado pelas vítimas como o principal mandante.

Em declarações à imprensa, uma das vítimas, Malam Sambú, disse ter confrontado o Comissário ao Comissário da Polícia Local, Bernardo Vilela, sobre o motivo que teria justificado “a ordem de espancamento que ele dera aos agentes”, tendo em conta que os manifestantes não causaram quaisquer distúrbios.

Entretanto, o CNJ avisou que as medidas deviam ser tomadas sob pena da organização promover acções de protestos contra os autores dos actos mas também do Governo. Após o comunicado a organização foi de imediato recebido pelo Secretário de Estado da Ordem Pública, Alfredo Malu, que reconheceu que ainda estava a recolher elementos para poder posicionar-se.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos foi mais acutilante na sua reacção. Qualificou as forças de ordem em Bafatá de “terroristas” e considerou o actual poder político de “violento”. Os responsáveis da organização lembraram que foi o actual poder que agrediu cidadãos que queriam rezar numa sexta-feira; agrediu outros que queriam conferir posse a um régulo (um titular do poder tradicional) e agora agrediu cidadãos “indefesos” que estavam a reclamar luz e água, que constituem bens essenciais para a sua sobrevivência.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.




Artigos relacionados

Moçambique: IESE diz que Covid-19 não foi principal causa de recessão do país

Moçambique: IESE diz que Covid-19 não foi principal causa de recessão do país

O Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE) considera que a Covid-19 não foi a principal causa da recessão económica em Moçambique.…
Guiné-Bissau: Presidente exonera Chefe de Estado-maior da armada e vice do Exército

Guiné-Bissau: Presidente exonera Chefe de Estado-maior da armada e vice do Exército

Segundo uma nota do Gabinete de Comunicação da Presidência da República, citando o Decreto Presidencial, “é o Contra Almirante, Carlos…
Timor-Leste: Elaboração do Plano de Urbanização de Díli aprovada

Timor-Leste: Elaboração do Plano de Urbanização de Díli aprovada

O Conselho de Ministros de Timor-Leste aprovou a elaboração do Plano de Urbanização de Díli. O objetivo é melhorar a…
Angola: Governo aprova mais de 15 mil milhões de kwanzas para Agricultura e Pescas

Angola: Governo aprova mais de 15 mil milhões de kwanzas para Agricultura e Pescas

O ministro da Agricultura e Pescas de Angola, António Francisco de Assis, informou que foram aprovados mais de 15 mil…
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin