Guiné-Bissau: Braima Camará não quer fazer parte de um “regime que não respeita regras”

O Coordenador do MADEM G15, Braima Camará, que se assume como o responsável da aliança governativa actualmente no poder, disse ser contra a interferência da política na religião e considerou ser vergonhoso políticos apelarem à mudança do dia de reza de Tabasky por interesses inconfessos.

A declarações de Braima Camará foram interpretadas como um recado a Umaro Sissoco Embaló. O Presidente da República pedira aos fiéis muçulmanos para não observarem a data de reza indicada pela Comissão de Observação Lunar, mas sim rezar no dia seguinte, decretado pelo Governo, sob a proposta da União dos Imames.

O Coordenador do MADEM, em declarações à imprensa na sua terra natal Geba (Região de Bafatá), onde cumpriu a reza a 21 Julho, como meio pacífico de apelar a unidade entre os guineenses, disse que a divisão deve gerar unidade e que as fraquezas sejam transformadas em forças, porque o país precisa definitivamente de estabilidade.

“Quero apelar à maior calma e contenção aos irmãos muçulmanos. Tanto os que rezam no dia 20, como os que rezaram no dia 21, peço mais tolerância”, apelou. Posteriormente o Coordenador do MADEM defendeu que os políticos ou Governos, não têm absolutamente nada de impor aos fiéis o dia de reza. “Por convicção e responsabilidade, não ficarei em paz com a minha consciência se não pedir desculpas a fiéis muçulmanos. O que gostava de ouvir na reza é entendimento, consenso e unidade entre os guineenses. É disto que o país precisa. Por isso temos que separar as águas. Temos a obrigação de permitir que as autoridades islâmicas se entendam entre si”, disse.

“Gostava que este regime fosse exemplar”, disse Braima Camará que vincou que: “Não vou nunca permitir a ditadura na Guiné-Bissau”. Segundo o líder do MADEM “é preciso que as autoridades aceitem respeitar as regras. Este regime que lutamos para a sua implantação e o objectivo era para os guineenses se sentirem, felizes e estáveis. Um regime que devia garantir água potável, energia, escolas, hospitais, infra-estruturas e para que não haja fome. Lutamos para que haja justiça e igualdade. Para que haja verdadeira reconciliação. Não podemos estar a promover as pessoas por causa de religião. Este país tem de progredir em paz. E no dia em que isto acontecer, vou sentir feliz”, sublinhou.

“Não posso fazer parte de nenhum regime que não respeita regras”

O Coordenador do MADEM apelou para que todos tenham vida e saúde e para que no próximo ano não haja essa vergonha de uns rezarem num dia e outros num outro, “porque existem agendas inconfessas”.

Questionado qual o impacto que espera da sua mensagem para os próximos eventos, o Coordenador do MADEM preferiu dar exemplo dos prós e contras na vida, e destacou que não tem necessidade de falar para que os outros gostem.

“Não posso fazer parte de nenhum regime que não respeita regras. É preciso respeitar a democracia. É preciso respeitar a liberdade de opinião e de imprensa. O guineense tem de sentir-se livre. É preciso respeitar o Estado de Direito Democrático”, vincou o Coordenador do MADEM, Braima Camará.

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