Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Choques entre PRS e MADEM podem atingir Umaro Sissoco Embaló

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A aliança entre o Partido da Renovação Social (PRS) e o Movimento de Alternância Democrática (MADEM), com a participação discreta de Umaro Sissoco Embaló, não está bem. A qualquer momento pode explodir e os estilhaços atingirem Umaro Sissoco Embaló.

O PRS suspeita das movimentações do Presidente da República (PR), Umaro Sissoco Embaló com vista a reforçar a posição do MADEM nas próximas eleições. No entanto, para o exterior, os dois partidos mostram outra imagem e alguns acontecimentos forçam a reconciliação, tal como foi com o regresso de Domingos Simões Pereira.

Vários os factores têm justificado o descontentamento do PRS, mas três episódios contribuíram para alimentar o fogo do desentendimento. A recusa ao PRS em nomear os governadores regionais; a recusa ao PRS para indicar uma estrutura na Autoridade Reguladora do Sector de Combustível (ARSECO) e as constantes promoções de militantes do MADEM, têm causado a maior tensão ao PRS.

A agravar, está também o pagamento efectuado pelo Ministério das Finanças a Braima Camará do chamado espaço Mbatonha no valor de 3 biliões de Fcfa. Mas também a mediatização em que se sujeitou o Coordenador do MADEM, que nos últimos tempos têm aparecido com alguma frequência a exibir a entrega de cartões de militantes, assim como o silêncio de Umaro Sissoco Embaló, que alguns dirigentes Renovadores consideravam ser o ponto de equilíbrio. Consequentemente a nova leitura do PRS é que Sissoco saiu do lugar em se encontrava, como fiel da balança, para reforçar a posição do MADEM.

Depois de uma fricção entre Sissoco Embaló e o Coordenador do MADEM, que teve como base a questão da madeira que envolve uma alegada fábrica do primeiro-ministro Nuno Gomes Nabiam num espaço de Braima Camará nas zonas de Stenaks, e a nomeação do vice-primeiro-ministro, os dois aparentam estarem de novo em sintonia. Quando a tensão subira, Braima Camará ainda advertira que o Governo não era uma ilha e que ninguém podia fazer nada sem a autorização do MADEM que, segundo Braima Camará, coordenava a aliança governativa. Umaro Sissoco Embaló respondeu com a ameaça estratégica de uma possível demissão do Governo, tendo chegado a fazer consultas para a formação de um novo executivo que contemplava a entrada do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Contra qualquer possibilidade dos dirigentes do PAIGC fazerem parte do Governo, desenvolveu-se uma intensa campanha de reconciliação entre os dois. Depois desse entendimento, cuja mediação envolveu figuras eminentes da sub-região, o MADEM conseguiu também reconciliar alguns dos seus activistas agredidos na Presidência da República com Umaro Sissoco Embaló. O partido e o PR passaram a falar a mesma linguagem.

Todavia, a reconciliação entre os activistas do MADEM e o Presidente da República, mediada por Braima Camará, acentuou o distanciamento do PRS, que passou a ser uma das maiores vítimas na governação.

PRS marginalizado

Os Renovadores não conseguem impor os seus dirigentes no Conselho de Ministros, que tem sido presidido ininterruptamente por Umaro Sissoco, e onde esta questão nunca faz parte da agenda, tendo em conta que o MADEM e APU-PDGB, partidos que integram a aliança governativa, reclamam uma divisão equitativa das pastas de governadores regionais. O PRS considera inconcebível esta exigência, dado que cada partido deveria nomear com bases nos seus critérios e sem quaisquer condicionalismos.

A alimentar o descontentamento está a caótica situação da Autoridade Reguladora do Sector de Combustível (ARSECO). A pasta do Ministério de Recursos Naturais pertence ao PRS, mas a nomeação anterior foi decidida pelo primeiro-ministro, Nuno Gomes Nabiam. Há dois meses, o Presidente da Comissão ad-hoc da ARSECO entrou em litígio com os operadores do sector e Umaro Sissoco Embaló mandou encerrar as instalações e extinguir a Comissão.

Foi prometido que o PRS iria recuperar a sua Direcção, mas no Conselho de Ministros em que se deveria nomear um novo responsável da Comissão ad-hoc, Umaro Sissoco Embaló recusou. A decisão provocou revolta junto de alguns dirigentes do PRS e chegaram a ameaçar retirar o partido do Governo, caso situações dessa natureza persistissem.

Nas hostes do PRS as conclusões já foram tiradas. As acções do MADEM visam fragilizar as bases do partido, até porque, nas últimas eleições legislativas, a maioria dos deputados do Movimento foram eleitos nos bastiões do PRS, havendo mesmo Círculos Eleitorais em que, devido a essas acções do MADEM, pela primeira vez o PRS não elegeu. Nos Círculos Eleitorais de Oio, Biombo e nas duas regiões de leste, o PRS sentiu-se destronado pelo MADEM. Dos seus 27 deputados no Parlamento, o MADEM elegeu 24 no interior do país, sendo superado apenas pelo PAIGC que obteve 29.

Há muito que estes dados existiam, mas o PRS demorou a interpretar e tirar ilações, mas a guerra eleitoral contra o PAIGC e as batalhas judiciais pós eleições adormeceram os ânimos dos Renovadores.

No dia da abertura da Academia Koumba Yalá, Alberto Nambeia não se esquivou de lançar indirectas sobre aqueles que considera que estão a aliciar os militantes do PRS. Uma mensagem inequívoca ao MADEM. Entretanto, o PRS deverá produzir na sua Academia, um conjunto de recomendações com as quais pretende condicionar a acção do Governo.

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