Guiné-Bissau: Conselho de Estado diz que não há motivo para Umaro Sissoco dissolver ANP

O Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, terminou nas primeiras horas da tarde desta quinta-feira 17 de Dezembro a fase do cumprimento das formalidades para a dissolução da Assembleia Nacional Popular (ANP).

Os partidos aliados de Umaro Sissoco Embaló disseram “não” à dissolução da ANP tendo em conta que não há uma crise que justifique tal medida, e Braima Camará Coordenador do Movimento Alternância Democrática (MADEM), da nova maioria parlamentar, disse aos jornalistas que o Presidente da República está disponível para recuar na sua pretensão. A mesma posição foi assumida pelo PRS e representantes de Nuno Gomes Nabiam que consideraram “normal” o jogo político que está a acontecer no parlamento.

As intenções de dissolução do parlamento aparentemente goraram. Os aliados do Chefe de Estado manifestaram-se “indisponíveis para enfrentar essa realidade” alegando que o país está bem. À saída do encontro, Braima Camará, que serviu de porta-voz do encontro, disse que de forma unânime aconselharam o PR, Umaro Sissoco Embaló para não dissolver o parlamento, porque não existem motivos. “De forma unânime, os membros do Conselho de Estado aconselharam o PR a continuar esforços na busca de solução por via de um diálogo inclusivo. Congratulámos com estratégia de auscultar todas as forças vivas da nação, mas fomos unânimes em concluir que não há nada de grave” que justifique a dissolução da ANP, afirmou o presidente do MADEM que todavia confirmou que o PR tem prerrogativas constitucionais para tomar a decisão final.

“Não há crise”, dizem líderes partidários

Falando em nome do MADEM, Braima Camará disse que o que está a acontecer no parlamento é um debate de ideias. “Pode haver excesso de um ou outro partido”, mas vão continuar a lutar para que haja o diálogo inclusivo.

O Coordenador do MADEM aproveitou para elogiar o comportamento de Umaro Sissoco Embaló, que tem feito uma boa magistratura e influência junto dos chefes de Estados que visitam o país. “Acabámos por aprovar o OGE, temos salários em dia, temos grandes obras, aulas a funcionar, um aeroporto com a dimensão dos melhores em África. Portanto estas realizações e estas conquistas não justificam a dissolução da ANP. Este é debate democrático e diferença de pontos de vista não significa inimizade ou insultos. E o MADEM vai continuar a lutar para que este ambiente prevaleça”, salientou.

Cipriano Cassamá, presidente da ANP e vice-presidente do PAIGC começou por reconhecer que um PR tem competência para dissolver o parlamento, mas aconselhou o Presidente a não dissolver ANP, porque não há motivos. “Agora cabe ao PR fazer juízo e tomar aquela que achar que é melhor decisão”, disse Cassamá.

A representação da Assembleia do Povo Unido (APU), do chefe do Governo Nuno Gomes Nabiam, levantou o véu de alguma discórdia. Mesmo tendo vice-presidentes e um secretário-geral no país, o partido foi representado por Jorge Mandinga, que não tem funções no presidium nesta formação política. Mandinga disse acreditar que o relacionamento pode ser melhorado e que os deputados vão melhorar a linguagem. “Podemos ultrapassar este período conturbado de relações pessoais”, admitiu.

Em nome do PRS, Florentino Mendes Pereira disse que analisaram com o PR a situação do país que preocupa o Chefe de Estado e que pediu moderação para que se continue a trabalhar para a estabilização do país e que os grupos parlamentares concentrem-se mais na situação do país em vez de querelas pessoais.

“Nós não falamos com o PR sobre a dissolução da ANP. Não estamos aqui para revelar aquilo que falamos, mas posso dizer que não falamos sobre isso. Crise pode ser interpretada por cada um. Nós somos um partido maduro e preparados para tudo”, garantiu Florentino Mendes Pereira.

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