Guiné-Bissau: DEMOS revela que 64% dos guineenses sentem-se abandonados pelo Estado

Os resultados da pesquisa da opinião pública efetuada em julho na Guiné-Bissau pelo Centro para a Democracia, Criatividade e Inclusão Social (DEMOS), intitulada “Vozes do Povo”, concluiu que 64% dos guineenses dizem que se sentem abandonados pelo Estado, enquanto 28%, afirmam sentirem-se protegidos, com o números de indecisos a cifrar 6% e as pessoas que não sabem ou não responderam estimadas em 25%.

No contexto de corrupção, a investigação do DEMOS indica que as pessoas que acreditam que todos, ou a maioria dos dirigentes estão envolvidos em corrupção, com os dirigentes políticos apontados por 59% dos inquiridos, funcionários das finanças 53%, deputados 51%, juízes e magistrados 43%, polícias 41%, jornalistas 35% e os líderes religiosos 18%.

Relativamente às pessoas que pagaram subornos para obter serviços do Estado, tal como para a obtenção de documentos oficiais, o estudo revela que 27% dos guineenses confirmaram casos nos hospitais 14%, policias 28% e nos tribunais 32% de pessoas que reconheceram terem pago subornos para obter serviços do Estado.

Por outro lado, o DEMOS interroga até que ponto um guineense acha que o Governo está a gerir bem ou mal a luta contra a corrupção. 78% dos guineenses consideram que gere mal, e 16% com uma opinião positiva, restando 6% que não sabem ou não responderam.

Outra questão prende-se com o número de vezes que os políticos cometem crimes e ficam impunes, os interrogados que responderam que “sempre” ou “muitas das vezes” são estimados em 45%, os que disseram “raras vezes” ou “nunca” 48% e 7% para os que não sabem ou não responderam.

Relativamente ao grau de democracia existe atualmente na Guiné-Bissau, 43% dos guineenses disseram que a Guiné-Bissau tem uma democracia com grandes problemas, 11 negaram que não é uma democracia, com 14 % a dizer que é uma democracia com pequenos problemas, enquanto 7% dos guineense concordaram que na Guiné-Bissau existe uma democracia completa e 25% não entenderam a questão, não sabem ou não responderam.

A pesquisa levantou questão aos guineenses sobre em que grau se sente satisfeito com a maneira como está a funcionar a democracia na Guiné-Bissau, 77%, responderam que pouco ou nada sentem satisfeitos, 8% responderam que muito ou bastante satisfeitos e enquanto 15% dos guineenses não sabem ou não responderam.

Sobre a defesa do direito a organizar manifestações e marchas de protesto, os que responderam que Governo não pode restringir representam 75% dos inquiridos, que o Governo deve restringir 18%, nem um nem outro 2% e não sabem ou não responderam 5%.

Quanto a importância da pluralidade de partidos políticos para uma democracia, também houve variações nas respostas, em que 33% consideram que os partidos criam divisão e são desnecessários, 61 %, afirmaram que vários partidos são necessários, os que não defendem uma posição ou outra são 2% e aqueles que não sabem ou não responderam 5%.

Esta sondagem de opinião pública tinha como objetivo, conhecer o que pensa a população da Guiné-Bissau sobre a vida pública do país, utilizando um instrumento científico para explorar uma dimensão da realidade social do país e gerar informações importantes para a formulação de estratégias de desenvolvimento, mas também facilitar a reflexão e o autoconhecimento do país e por último dar voz e ouvir as vozes do povo da Guiné-Bissau. Os questionários desta pesquisa foram baseados no Afrobarometer.

Sumba Nansil

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