Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: DSP com a missão de reconstruir a oposição e travar crise interna no PAIGC

Domingos Simões Pereira
Arquivo

O regresso de Domingos Simões Pereira terá repercussões na paisagem política guineense mas particularmente no seu próprio partido, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Domingos Simões Pereira é encarado também, nos meandros políticos, como a figura capaz de tirar o país da orfandade política, monopolizada quase exclusivamente por Umaro Sissoco Embaló e seus aliados.

A situação interna e o respeito dos direitos humanos fazem parte dos pontos prioritários da sua agenda. Simões Pereira disse que vai ser que vai denunciar e convocar os guineenses para fazer face a situação de violação dos direitos humanos, tendo alertado que aqueles que ordenam a violação dos direitos humanos podem no futuro serão eles ser também as vítimas.

Depois de ter sido declarado candidato derrotado na segunda volta das eleições presidenciais de 2019, Domingos Simões Pereira e o seu partido contestaram o processo alegando fraudes. Inicialmente o PAIGC estava optimista, mas as suas expectativas goraram. Em Setembro 2020, o Supremo Tribunal de Justiça redimiu-se e considerou de improcedente o recurso intentado pelo PAIGC e seu candidato. Umaro Sissoco Embaló acabou por reforçar a sua posição, e contava com todas as forças políticas que o apoiara na segunda volta e que relegaram o PAIGC para a oposição.

Domingos Simões Pereira, totalmente desgastado pelo contencioso eleitoral, reduziu as suas exigências a que Umaro Sissoco Embaló respeitasse os preceitos Constitucionais e regimentais sobre a investidura. O seu apelo não foi ouvido, nem o Presidente da República, nem a Assembleia Nacional Popular (ANP) e a comunidade internacional.

A real oposição face ao novo modelo de exercício do poder, é praticamente inexistente. Daí que o primeiro desafio de Domingos Simões Pereira será manter a sua presença no campo político e simultaneamente tentar redinamizar a oposição, encarnada pelo PAIGC representa. “Pode parecer estranho, mas o partido que venceu as eleições com maioria é que está na oposição”, disse o Presidente do PAIGC aquando do anúncio do seu regresso.

A tarefa de Domingos Simões Pereira de organizar e fazer oposição ao actual poder não será nada fácil, por vários motivos. De um lado e, a nível parlamentar, joga contra o facto de o PAIGC estar fragilizado com a deslocação dos seus 5 deputados para a aliança governativa. Recuperar a vida no parlamento, não será uma batalha fácil mas seria possível se o presidente da ANP mudar de postura. Cipriano Cassamá ainda faz face às acusações do PAIGC que o critica de ter facilitado as manobras da antiga oposição e de Umaro Sissoco Embaló. Será esta a primeira maior incerteza e que exige de DSP eficientes estratégias para a recuperação.

 

Crise interna no PAIGC

Nas bagagens de Domingos Simões Pereira estão vários dossiers quentes. Um deles é a crise interna no PAIGC, ou “falsa crise” como DSP define.

Algumas figuras de peso e militantes acusam o presidente do PAIGC de estar ausente do país há demasiado tempo e de não se ter preocupado com um balanço sério e critico das eleições presidenciais. Militantes, como Octávio Lopes, defenderam que o partido deveria reunir os órgãos internos e insistiam que era “insuportável” a ausência prolongada do Presidente.

Às criticas internas Domingos Simões Pereira respondeu também com críticas, apontando falta de reconhecimento tendo em conta que, na sua óptica, não houve uma direcção do PAIGC que reuniu órgãos internos como a sua. Mesmo assim, prometeu que está aberto a discutir todos os problemas para que seja o “PAIGC e a Guiné-Bissau a ganhar”.

Face à pressão no PAIGC, Domingos Simões Pereira chegou na tarde de 12 de Março e às 12 horas e no dia seguinte já estava a decorrer a reunião da Comissão Permanente. Posteriormente vai reunir o Bureau Político, seguido do Comité Central, para fazer o balanço das eleições, mas também imputar responsabilidades aos militantes, tais como aos deputados que votaram o programa do Governo, e aqueles que aceitaram funções no Governo entre outros. “Disseram que há problemas no partido! Estou aqui disponível para debatermos”, disse DSP no salão Amílcar Cabral da sede do PAIGC.

A maior dúvida neste momento é apurar quem será o líder da oposição interna. Desgastado, em função da sua posição de reconhecer Umaro Sissoco Embaló mesmo antes do Tribunal se posicionar, Cipriano Cassamá neste momento não oferece garantias, apesar de fazer parte da direcção, na função de primeiro vice-presidente do PAIGC.

Outra figura eminente para liderar a oposição interna a Domingos Simões Pereira é Octávio Lopes. Incarna uma facção da elite intelectual do PAIGC, mas o primeiro confronto com o presidente do PAIGC há quatro anos não foi coroada de sucesso, alguns quadros do PAIGC concederam que Octávio Lopes poderá não resistir a segundo choque, outros afirmam que já conta com um núcleo forte interno. A favor do Presidente do PAIGC está a sua autoridade interna e o carisma que Domingos Simões Pereira ainda beneficia nas bases do partido.

© e-Global Notícias em Português
1 Comentário

1 Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Topo