Guiné-Bissau: DSP diz que se algo lhe acontecer a responsabilidade será de Sissoco e Biagué

O Ministério Público da Guiné-Bissau emitiu uma nota na qual interdita a saída do país do presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), alegando o atraso da Assembleia Nacional Popular (ANP) em levantar imunidade parlamentar ao deputado Domingos Simões Pereira (DSP), líder do PAIGC.

Na manhã desta quinta-feira 24 de Fevereiro, forças policiais tentaram barrar o presidente do PAIGC de entrar na sede do partido. Os militantes que o acompanhavam em direcção ao seu gabinete forçaram e Simões Pereira conseguiu chegar à sede.

Numa declaração na sede do partido, o Presidente do PAIGC considerou ser intolerável o nível de perseguição de que é alvo assim como os seus colaboradores, e garantiu que responsabilizará o Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) e o Presidente da República (PR) de “algo” que lhe acontecer ou aos seus colaboradores.

Apesar do Presidente do PAIGC reconhecer sentir a sua vida em perigo, vincou que jamais deixará de lutar para os valores de Estado de Direito na Guiné-Bissau. Na mesma ocasião, Domingos Simões Pereira desafiou ao CEMGFA da Guiné-Bissau, Biagué Na Ntan a assumir publicamente se está de acordo com tudo o que está a acontecer na Guiné-Bissau, ou não.

Domingos Simões Pereira (DSP) acusou ainda o CEMGFA de ser cúmplice em todos os actos do Presidente da República. “Eu conheci o General Biagué Na Ntan nos tempos da Rússia. Foi uma pessoa que sempre pautou pela legalidade ao longo da vida. Comigo as relações foram sempre excelentes. Mas num determinado momento, vejo uma outra pessoa. Vejo um Chefe de Estado-Maior cúmplice com muitas anormalidades”, acusou o presidente do PAIGC.

Misturando português e crioulo, DSP deu como exemplo da cumplicidade de Biagué Na Ntan a tomada de posse do Presidente da República. “Passamos todo este tempo a falar de tomada de posse simbólica. (…) Todos sabem que foi uma interferência dos militares. É ali que está a desigualdade desta luta. A luta democrática é plausível, mas quando a balança pende para uma das partes, porque os militares se meteram, torna-se logo difícil. Portanto, é o que estamos a assistir. Os militares estão numa das partes nesta luta”, disse.

Para Domingos Simões Pereira quando CEMGFA deu ordens para se perseguir e deter os suspeitos de golpe de Estado, o General Biagué Na Ntan estará a dar cobertura a um grupo político para perseguir os seus adversários. “A minha vida está em risco. A vida dos meus camaradas também. Mas é bom que toda a Comunidade Internacional saiba que, se algo me acontecer, os responsáveis são Sissoco e o General Biagué”.

Na mesma ocasião o presidente do PAIGC reagiu à recente decisão do Ministério Público em interditar a sua saída. Demonstrando alguma tranquilidade sobre a matéria, o presidente do PAIGC afirmou que pela via da força não vai sair. “Mas o PAIGC saiu. Todos os organismos internacionais; todos os países representados na Guiné-Bissau já sabem. O PAIGC saiu e informou as atrocidades que estão a ser preparadas contra o seu presidente, seus dirigentes e militantes”, disse.

Sobre o processo, o presidente do PAIGC reafirmou que nunca foi ouvido nesse processo, e acusa o Ministério Publico (MP) de estar a desrespeitar a lei e em vez de ser advogado do Estado está a ser um instrumento de perseguição dos adversários do regime. “Este MP está ao serviço do regime. No cumprimento deste papel chega ao ponto de querer substituir e dar ordens à ANP”, observou. “Todas as manobras que estamos a assistir visam inviabilizar o Congresso do PAIGC. Primeiro invocaram a Covid, quando outros partidos em igual período fizeram congressos. Agora, insistem na perseguição judicial. Mas o Congresso do PAIGC terá lugar”, garantiu Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC.

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