Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Fantasma de ‘Nino’ Vieira ainda assombra políticos e militares

GB Nino Sissoco Amura

Tentando dissipar as controvérsias sobre a transladação dos restos mortais de ‘Nino’ Vieira, do Cemitério Municipal para a Fortaleza de Amura, o Presidente Umaro Sissoco Embaló, num discurso em crioulo, sublinhara que ‘Nino’ Vieira é um património nacional que ultrapassa qualquer contexto familiar, e por isso apenas a viúva do antigo presidente foi previamente informada da decisão.

Na mesma ocasião, Umaro Sissoco Embaló anunciou também que decidira que a Avenida Combatentes da Liberdade da Pátria, outrora Avenida 14 de Novembro, passará a designar-se Avenida ‘Nino’ Vieira.

Sobre a transladação dos restos mortais de ‘Nino’ Vieira, o Governo não tomou uma posição oficial, mas a decisão de Umaro Sissoco Embaló foi corroborada por Sandji Fati, Ministro da Defesa Nacional e pelo Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, Biagué Nan Tan. Uma decisão que terá contrariado em silêncio, os responsáveis morais e operacionais que eliminaram ‘Nino’ Vieira.

A 2 de Março de 2009, um grupo de militares invadiram a casa do antigo Presidente e o executaram a sangue frio, supostamente alegando ser um ajuste de contas, na sequência do assassinato de Tagmé Na Waie, então Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, vítima horas antes de um enigmático atentado à bomba.

As posições imediatas ao assassinato de ‘Nino’ Vieira levantaram ainda mais incógnitas, as quais foram reforçadas quando o Governo, então liderado por Carlos Gomes Jr, decidiu recusar que o corpo de “Nino” Vieira pudesse repousar no “Panteão Nacional”.

As incongruências destes episódios foram realçadas pela primogénita de ‘Nino’ Vieira, Florença Bernardo Vieira, que precisou também que sempre questionaram Isabel Vieira sobre quem matou ‘Nino’ Vieira. Mas Isabel Vieira sempre recusou pronunciar-se sobre o assunto. Isabel Vieira estava no local quando os militares entraram na residência para executar ‘Nino’ Vieira.

“Estranha-nos, enquanto filhos, o que está por detrás dessa decisão do Presidente, praticamente ao lado dos filhos”, disse Florença Vieira que garantiu não se opor à transladação dos restos mortais do pai, mas ser contra que o acto tenha sido feito de forma isolado e apenas com o conhecimento dos filhos de Isabel Vieira.

“Está provado que, Isabel Vieira quer instalar uma polémica entre os filhos de ‘Nino’ Vieira. O ‘Nino’ não tem 5 filhos. Não. Ele tem 18 filhos. E eu, Florença, sou a primeira filha, mãe e pai dos restantes. Não é justo, para transladação ser informada apenas a Isabel”, criticou a filha.

Foi devido a estas críticas, que Umaro Sissoco durante a cerimónia na Fortaleza de Amura vincou que nunca pediu licença a ninguém para a trasladação dos restos mortais de “Nino” Vieira, porque a “dimensão de ‘Nino’ Vieira ultrapassa a família” e “qualquer guineense tem uma quota-parte em ‘Nino’ Vieira, por aquilo que ele fez pelo país”.

 

Sissoco eleva ‘Nino’ Vieira e rebaixa Carlos Gomes Jr

Durante a cerimónia não passou despercebido que muitos dos oficiais militares presentes eram os principais opositores de “Nino” Vieira durante a Guerra Civil de 7 de Junho de 1998, nomeadamente António Indjai, Zamora Induta, Bubo Na Tchuto entre outros, e por esse motivo Umaro Sissoco Embaló insistiu no respeito à memória e figura de “Nino” Vieira.

Na sua alocução o presidente realçou o ‘lendário comandante’ como aquele que acabou com mortes na Guiné-Bissau. “Uma das passagens que mais me marcou enquanto militar, foi quando me mostraram a vala comum em Cumeré, nas matas de Portugole, etc… Eram localidades onde se enterravam os guineenses. Quem acabou com aquilo foi o ‘Nino’ Vieira no Movimento reajustador 14 de Novembro. Portanto é preciso respeitar “Nino” Vieira. Não tive a oportunidade de conhecer Amílcar Cabral, mas conheci “Nino” Vieira aqui e sei quem é”, disse Umaro Sissoco Embaló, Presidente da República.

Na mesma ocasião, o Presidente guineense informou que a antiga Avenida 14 de Novembro que, depois da morte de ‘Nino’ Vieira, Carlos Gomes Jr. alterou o seu nome para Avenida Combatentes da Liberdade, passa a designar-se Avenida João Bernardo Vieira. Uma decisão que já é interpretada como “desautorização” simbólica de Carlos Gomes Jr. ex-braço direito de ‘Nino’ Vieira, mas que divergiam em delicados assuntos pecuniários ainda por esclarecer.

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