Guiné-Bissau: Governo pune simbolicamente militares que participaram na reunião de Patche Yalá

O Governo decidiu no dia 5 de Maio corrente, retirar os agentes de segurança ao ex-Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, Almirante José Zamora Induta, e o antigo Chefe de Estado-Maior da Armada, o Contra Almirante, José Américo Bubo Na Tchuto. O ex-Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, António Indjai não foi atingido pela “sentença” e continua com os seus seguranças, estando neste momento na sua quinta no interior do país.

A decisão de retirar os agentes de segurança ocorre três semanas depois dos mesmos serem acusados de terem participado numa reunião com vários políticos na aldeia de Patche Yalá. A decisão inicial, conforme fontes do Governo era previsto deter os suspeitos de participação na referida reunião, mas devido à imprevisibilidade das consequências que tal decisão poderia provocar, o Governo optou por medidas simbólicas.

Na manhã desta quarta-feira 5 de Maio os agentes que garantiam a segurança de José Zamora Induta e José Américo Bubo Na Tchuto receberam ordens do Ministério do Interior para retirarem dos locais. A segurança do Contra-Almirante Bubo Na Tchuto era composta por cinco agentes, tendo apenas o motorista permanecido em funções. Por sua vez, José Zamora Induta tinha quatro elementos passando a sua segurança a ser mantida por dois.

Segundo a tradição na classe castrense guineense, a maioria dos que exerceram funções de chefia nos ramos das Forças Armadas escolhiam militares de confiança para a sua segurança quando deixavam as funções. Por esse motivo, os dois oficiais afectados pelas medidas consideraram anormal a atitude das estruturas do Ministério do Interior e da Defesa e pretendem accionar os mecanismos para esclarecer a decisão.

Depois da controversa reunião de Patche Yalá, que terá ocorrido a 13 de Abril de 2021, o Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) emitiu um comunicado em que advertiu os militares no sentido de absterem-se da política, como meio de contribuírem para a paz e estabilidade. Dias depois deste comunicado, o Estado-Maior convocou os dois militares para os questionar sobre a alegada participação na reunião.

Fontes próximas dos dois ex-Chefes militares garantiram que a decisão não uma surpresa, uma vez que os mesmos consideram um procedimento normal, mas no entanto suspeita de “muita manipulação política”.

O Contra-Almirante, José Américo Bubo Na Tchuto ameaçara todavia de promover uma conferência de imprensa logo após a alegada reunião, tendo sido no último instante demovido da intenção pela família. Na Tchuto terá dito aos familiares que iria permanecer vigilante e que não seria alvo das “situações que aconteceram a muitos”.

António Injai e o peso nas Forças Armadas

Um oficial militar, coberto de anonimato, disse que não estranha o facto de a segurança ter sido retirada apenas a Zamora Induta e Bubo Na Tchuto, e que António Indjai fosse atingido pela mesma medida.

Na sua opinião, o Estado-Maior e o Ministério do Interior continuam a temer mais António Indjai que Zamora Induta e Bubo Na Tchuto. “Não vão retirar os seguranças de António Indjai, porque conhecem a sua capacidade de resposta. Os outros, podem até ter a capacidade de resposta, mas são mais ponderados em termos de reacção”, disse.

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