Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Liga dos Direitos Humanos acusa Sissoco de ser apologista da violência

GB Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH)

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) acusou segunda-feira 12 de Outubro o Presidente da República (PR) Umaro Sissoco Embaló de ser o inspirador de um “esquadrão de terror” que emergiu com a sua chegada ao poder.

Em conferência de imprensa, com objectivo de responder às perguntas de Sissoco Embaló sobre as acções da Liga quando Marciano Indi e Armando Correia Dias foram raptados e espancados, o presidente da organização, Augusto Mário da Silva, afirmou que as declarações do PR parecem as de um apoiante de práticas maléficas de esquadrão de terror para alimentar às derivas ditatoriais.

O Presidente da Liga garantiu que a organização está determinada a denunciar todas as derivas ditatoriais e as arbitrariedades que o Presidente da República quer implantar, e convida Umaro Sissoco a adoptar uma conduta republicana.

Para a organização as declarações de Umaro Sissoco Embaló são de graves e desenquadradas e atentam contra os valores da unidade, coesão social e do exercício imparcial da protecção da dignidade humana, e portador de uma saga apologista a violência.

Segundo a Liga, quando Umaro Sissoco Embaló afirma na sua comunicação de que, quem não se cuidar de si, alguém haverá de cuidar dele, o presidente está a demonstrar claramente não só dá bênção ao “esquadrão de repressão”, como também quer controlar às mentes de todos.

“O PR, Sissoco Embaló, tem adoptado como método do seu consulado a implantação de terror para controlar a mente e a liberdade de expressão dos s cidadãos. E para a materialização desta sua intenção maléfica, emergiu em Bissau, um esquadrão de repressão cuja referência moral, é supostamente Umaro Sissoco Embaló, que com a bênção deste, anda a espalhar terror em tudo quanto é sítio em Bissau”, acusou a Liga.

Em declarações à imprensa depois de regressar de uma visita oficial a Portugal, o Chefe de Estado questionou onde estava a Liga que não se pronunciou sobre os casos de Marciano Indi e Armando Correia Dias. O presidente da Liga respondeu e garantiu que a LGDH quando informado pelos familiares foi primeira organização a denunciar o caso de Marciano Indi, o mesmo aconteceu com Armando Correia Dias, a quem permitiram acesso a um médico e accionou todos os instrumentos para a sua liberdade.

“A Liga não tem uma agenda selectiva”

“Queremos garantir ao Presidente da República que, a Liga não tem uma agenda selectiva na sua luta pela consolidação do Estado de Direito Democrático. Nunca a teve e nunca a terá. Por isso, jamais desviará dos seus princípios e das directrizes que orientam a sua intervenção. A Liga aconselha o PR a adoptar uma postura democrática e digna das funções que ocupa, evitando deste modo a proferir declarações que instiguem a violência e ao ódio. Tal atitude em nada abona na coesão e paz social que tanto almejamos”, enalteceu Augusto Mário da silva em nome da Liga.

Lembrando a Sissoco Embaló que o país espera uma postura galvanizadora da unidade nacional, a Liga sublinha que, quando as vítimas reclamam a justiça, as declarações do PR parecem de quem assume a autoria moral de “actos bárbaros”. “Não podíamos deixar de lembrar ao Sr. Presidente da República que, os vários casos de raptos de activistas políticos e dos jornalistas, sem descurar da vandalização da Rádio Capital, evidenciaram fortes indícios de que foi motivada por homens do tal esquadrão do terror com beneplácito do PR e com a Presidência como local de concretização”.

A Liga recusa em facilitar o retrocesso das conquistas democráticas e alerta o PR que, “nesta república ninguém está acima da lei. Porque, se um dia alguém extrapolar, pode ser levado a justiça”. A liga diz que não concorda com argumentos de casos isolados, quando os patrimónios são vandalizados por agentes de autoridade, e o Ministério do Interior em vez de servir de guardião dos cidadãos, passa a ser um símbolo de tortura e de repositório dos cidadãos sequestrados, e muito menos quando o Palácio da República enquanto maior símbolo da grandeza e do poder do Estado, serve de palco de tortura e de humilhação dos cidadãos.

“A Liga reitera mais uma vez a sua total abertura para colaborar com as autoridades nacionais, sem descurar da sua missão e determinação de combater as derivas ditatoriais que visam minar as nossas conquistas democráticas. No estado de direito democrático, a manutenção da ordem e o respeito pelas regras não se compaginam com o livre arbítrio das autoridades, mas com o respeito escrupuloso dos ditames legais”, concluiu Augusto Mário da Silva, presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos.

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