Guiné-Bissau: Liga dos Direitos Humanos alerta para a ameaça do extremismo violento

O Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Augusto Mário da Silva, alertou as autoridades guineenses sobre a ameaça do extremismo violento na África Ocidental.

Augusto Mário da Silva interveio esta quarta-feira 3 de Novembro em Bissau, na abertura do I Encontro nacional de Reflexão dos Líderes Religiosos sobre a Prevenção do Radicalismo e Extremismo Violento.

“A influência de correntes extremistas e o crescente fenómeno de radicalização verificado no mundo e, particularmente na nossa sub-região africana, deve-nos colocar em posições de alerta permanente, accionando todos os mecanismos de prevenção à nossa disposição para evitar que o nosso tecido social seja afectado por fenómenos alheios à nossa tradição cultural”, observou o activista, que assegurou ainda que “a diversidade cultural e religiosa, que hoje representam a força e a alavanca para o desenvolvimento, também pode representar uma ameaça à coesão nacional, se não for permanentemente cultivada e devidamente cuidada”.

Para o presidente da LGDH, a Guiné-Bissau “faz parte de uma sub-região fortemente marcada por um contexto de recrudescimento de actividades criminosas levadas a cabo por diversos grupos de radicais e extremistas que ocupam grandes áreas de países da Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), da qual a Guiné-Bissau é membro”, tendo destacado que estas “actividades criminosas” são financiadas através do tráfico de droga, branqueamento de capitais, tráfico de armas, manipulação e incentivo às emigrações clandestinas.

“Não podemos olvidar que a falta de perspectivas para os jovens, a pobreza crescente e o desemprego fazem muitas pessoas, sobretudo as mais jovens, não só a seguir os perigosos caminhos da emigração ilegal, mas também a tornarem-se presas fáceis das correntes ou ideologias extremistas e radicais”, refere.

De acordo com Augusto Mário da Silva “a vigilância assume capital importância no sentido de melhorar a perspectiva dos jovens e de promover a educação e formação, sem descurar a formação religiosa e o aprofundamento das noções de abertura e tolerância”.

Os decisores políticos e sociais da Guiné-Bissau estão reunidos de 30 de Novembro a 1 de Dezembro em Bissau, no I Encontro nacional de Reflexão dos Líderes Religiosos sobre a Prevenção do Radicalismo e Extremismo Violento, com vista a promover o diálogo inter-religioso e inclusivo, como um mecanismo imprescindível para a consolidação da paz, é uma iniciativa promovida pela Liga Guineense dos Direitos humanos e Instituto Marquês de Valle Flôr, no âmbito do programa “Observatório da Paz” (No Cudji Paz), financiado pela União Europeia e Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

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